Quem ganha e quem perde com a guerra entre Arábia Saudita e Rússia

Enquanto os rumos da guerra do petróleo entre Arábia Saudita e Rússia continuam incertos, analistas tentam estimar os impactos dessa crise no mundo

São Paulo – Passada queda brusca nos mercados globais da segunda-feira (9) – iniciada com uma guerra de preços entre a Arábia Saudita e a Rússia no mercado de petróleo –, os analistas agora tentam estimar quais devem ser os efeitos econômicos que o tombo nos preços internacionais do combustível pode provocar.

“As complicações dessa situação são significativas, especialmente para os países de renda baixa ou média, que dependem da exportação de energia para movimentar a sua economia”, disse à EXAME o presidente da consultoria Eurasia, Ian Bremmer. “Para esses países, que também ainda precisam lidar os problemas do novo coronavírus, a guerra de preços no petróleo veio na hora errada.”

Um relatório divulgado na manhã desta terça-feira, produzido pela Allianz Research – braço de pesquisa da seguradora Allianz –, buscou analisar o cenário mundo afora, considerando a manutenção do preço do barril do petróleo em um patamar abaixo dos 45 dólares por doze meses. Os analistas constataram que há ganhadores e perdedores, dependendo da relação de cada país com a commodity.

Entre os países que podem ganhar estão os importadores de energia, como a União Europeia, os Estados Unidos, a Índia, a China e o Brasil. Os ganhos em crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nesses países são de pouco menos de 0,5 ponto percentual. “Esses países irão se beneficiar dos preços mais baixos, já que isso impulsiona o poder de compra das pessoas”, escreveram os analistas da Allianz Research. No entanto, a consultoria alerta que tais benefícios podem ser “parcialmente compensados”, se as famílias optarem por economizar.

Já entre os prováveis perdedores, estão aqueles países que exportam petróleo, como o Equador, a Colômbia, o México, os Emirados Árabes Unidos e a Rússia, pivô na guerra de preços com a Arábia Saudita. Segundo projeções da Allianz Research, o Equador e a Colômbia podem perder mais de 1 ponto percentual de crescimento, enquanto que o restante dos países pode registrar perdas de mais de 0,5 ponto percentual.

Para Marcos Azambuja, diplomata de carreira e ex-Secretário-Geral do Itamaraty, a crise entre a Arábia Saudita e a Rússia, associada a um cenário de incertezas em razão da epidemia do coronavírus, formou uma “tempestade perfeita” para a economia global. Uma que deve ser breve em razão da complexidade da situação atual. “Minha convicção é a de que essa tempestade será curta. Há anos não tínhamos uma crise dessa magnitude e complexidade, mas ela precisa ser resolvida, pois não há vencedores”, diz.

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