Projeção para inflação em 2021 está em 5%, diz ata do Copom

Este cenário pressupõe a taxa de juros variando conforme a pesquisa Focus e o câmbio partindo de R$ 5,70

A ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, divulgada nesta terça-feira, 23, indicou que a projeção para o IPCA de 2021 no cenário básico está em 5,0%. Este cenário pressupõe a taxa de juros variando conforme a pesquisa Focus e o câmbio partindo de R$ 5,70 e evoluindo conforme a Paridade do Poder de Compra (PPC). Já a projeção para 2022 está em 3,5%.

Essas estimativas já constaram no comunicado da semana passada, quando o Copom elevou a Selic (a taxa básica de juros) em 0,75 ponto porcentual, para 2,75% ao ano. Foi a primeira alta nos juros desde junho de 2015. Também foi o primeiro aumento de juros entre as maiores economias do globo e nos países da América Latina. Desde agosto do ano passado, a Selic estava estacionada em 2,00% ao ano - o menor nível da história.

O recrudescimento da inflação está no centro das preocupações do Banco Central e já é sentido por boa parte da população. Entre as causas da elevação vêm sendo apontados movimentos como a alta dos preços das commodities e o auxílio emergencial concedido pelo governo para ajudar as famílias mais necessitadas durante a pandemia de coronavírus. No resto do mundo, a inflação segue ainda em patamares bastante baixos.

Para o cálculo das projeções, o BC utilizou taxa de câmbio partindo de R$ 5,70, que é a média da taxa de câmbio observada nos cinco dias úteis encerrados no dia 12 de março.

Na ata da reunião anterior, de 19 e 20 de janeiro, as projeções de inflação no cenário básico (juros Focus e câmbio PPC) eram de 3,6% para 2021 e 3,4% para 2022.

Recuperação econômica

O Copom repetiu na ata que seu cenário básico de inflação segue com fatores de risco em ambas as direções. Por um lado, o agravamento da pandemia pode atrasar o processo de recuperação econômica, produzindo assim uma trajetória de inflação abaixo do esperado.

Por outro lado, a extensão de políticas fiscais de combate à pandemia de covid-19 ou a frustração com a continuidade da agenda de reformas econômicas podem elevar os prêmios de risco.

"O risco fiscal elevado segue criando uma assimetria altista no balanço de riscos, ou seja, com trajetórias para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária", repetiu o colegiado.

O Banco Central também reafirmou na ata de hoje que perseverar no processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para permitir a recuperação sustentável da economia.

"O Comitê ressalta, ainda, que questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia", registrou a ata.

Estas ideias já haviam sido expressas pelo BC no comunicado do último encontro do Copom, divulgado na quarta-feira passada.

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