Previdência brasileira é desigual e insustentável, diz NYT

Mas "poucos legisladores estão dispostos a dizer aos votantes que terão que trabalhar por mais tempo e ganhando menos em seus anos dourados", diz jornal

São Paulo – O sistema de Previdência brasileiro é caro, desigual e insustentável, de acordo com uma matéria do The New York Times publicada neste domingo (25).

Números da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) citados pela reportagem mostram que a idade média de aposentadoria no país é de apenas 56 anos para homens e 53 anos para mulheres.

Mais de um terço dos subsídios ao sistema é direcionado aos 20% mais ricos da população enquanto apenas 4% tem como destino os 20% mais pobres, de acordo com dados do Banco Mundial também citados no texto.

“Analistas e políticos de todo o espectro político já reconhecem faz tempo que o sistema de pensões é insustentável e um dos principais fatores para as contínuas dificuldades econômicas do país”, diz o jornal.

Os gastos com Previdência já respondem por um terço do Orçamento e quase dobraram seu peso na economia nos últimos anos, indo de 4,6% do PIB em 2014 para 8,2% do PIB em 2016.

É uma porcentagem bastante alta na comparação internacional, ainda mais considerando que a população brasileira ainda é relativamente jovem.

Só que mesmo com números tão contundentes, o timing da reforma se provou desafiador demais.

Com eleições já em outubro, “poucos legisladores estão dispostos a dizer aos votantes que eles terão de trabalhar por mais tempo para receber menos dinheiro em seus anos dourados”, diz o NYT.

Mas o jornal também destaca que um dos obstáculos para mudar o sistema é a desconfiança da população com a elite política do país após tantas acusações de corrupção e privilégios escancarados.

Temer é citado como um garoto-propaganda problemático, já que embolsa uma aposentadoria generosa há duas décadas.

Apesar de tudo, a reforma da Previdência parecia com alta chance de aprovação até de maio do ano passado, quando foi divulgada a gravação de Michel Temer com Joesley Batista, um dos donos da JBS.

Todo o capital político do presidente foi direcionado para afastar as acusações no Legislativo e a emenda constitucional acabou engavetada recentemente, com o governo estimando que faltavam pelo menos 40 votos para atingir o mínimo de 308 dos 513 deputados para aprovação.

Além disso, a aprovação da intervenção federal de segurança no Rio de Janeiro bloqueou a possibilidade de mudanças constitucionais enquanto estiver em vigor.

Segundo o jornal, mesmo alguns apoiadores do presidente reconhecem que evitar uma “perda embaraçosa no Congresso” foi justamente uma das motivações por trás do decreto.

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