Economia

EUA e México chegam a acordo para adiar novas tarifas por um mês

Pausa veio após México se comprometer a reforçar segurança na fronteira com os Estados Unidos

Publicado em 3 de fevereiro de 2025 às 12h41.

Última atualização em 3 de fevereiro de 2025 às 13h47.

Os Estados Unidos e o México chegaram a um acordo para adiar por um mês a implantação de novas tarifas de importação, que o governo de Donald Trump havia determinado e que entrariam em vigor na terça-feira, 4.

O acordo foi divulgado inicialmente pela presidente do México, Claudia Sheinbaum, e depois confirmado por Trump.

Em troca da pausa, o México concordou em reforçar a segurança nas fronteiras e enviará 10 mil soldados para a região, para conter o tráfico de drogas e a travessia de imigrantes irregulares rumo aos Estados Unidos.

Apesar do acordo com o México, ainda há a previsão de que as tarifas dos EUA sobre Canadá e China entrem em vigor na terça-feira, 4.

No sábado, 1º de fevereiro, Trump anunciou tarifas de 25% sobre a maioria dos produtos importados do México e Canadá. As importações chinesas também terão sobretaxa de 10%. Os itens de energia do Canadá, como petróleo, teriam tarifa reduzida de 10%.

Trump diz que impôs a medida para forçar os outros países a combater a imigração ilegal e o tráfico de fentanil, associado a cartéis mexicanos e à produção de substâncias químicas na China. Atualmente, Canadá, México e Estados Unidos integram o tratado USMCA, de livre comércio entre os três.

Sheinbaum fez o anúncio do acordo em suas redes sociais às 12h21. Ela disse que teve uma conversa "produtiva" com Trump e que os Estados Unidos se comprometeram a combater o envio de armas de grosso calibre ao crime organizado do México.

Minutos depois, Trump confirmou o adiamento. "Acabei de falar com a presidente Claudia Sheinbaum, do México. Foi uma conversa muito amigável, na qual ela concordou em fornecer imediatamente 10.000 soldados mexicanos na fronteira entre o México e os Estados Unidos", escreveu Trump em sua rede social, a Truth Social. "Esses soldados serão especificamente designados para interromper o fluxo de fentanil e migrantes ilegais em nosso país", continuou.

O México é atualmente o maior fornecedor de importações para os Estados Unidos. Nos primeiros 11 meses de 2024, foram enviados 466,6 bilhões de dólares em mercadorias, ou 15,6% do total de importações dos EUA.

Efeitos das tarifas

As novas tarifas comerciais dos Estados Unidos contra Canadá, México e China, propostas por Trump, deverão elevar preços nos EUA e ter impactos mais profundos nos outros países da América do Norte.

Atualmente, cerca de 80% das exportações do Canadá e do México vão para os Estados Unidos. As exportações para os EUA respondem por 40% do PIB mexicano. Do outro lado, segundo um estudo do Peterson Institute, as importações do Canadá e do México para os Estados Unidos representaram 3,3% do PIB americano em 2023. Com isso, o impacto direto nos preços nos EUA seria de 0,8%.

Além disso, o Peterson estima que haveria um efeito de mais 0,4% na alta de preços, porque as empresas que produzem nos EUA poderão subir os preços, já que haverá menos competição com itens estrangeiros mais baratos.

No final, o impacto total seria de 1,2%.

"O problema político para o presidente Trump não seria tanto o pequeno aumento nos preços gerais, mas altas em mercadorias de destaque, como gasolina nos postos em alguns lugares, algumas marcas de carros, abacates e tomates", diz o estudo.

Cadeias integradas

Um dos grandes problemas de impor tarifas onde antes havia circulação livre é que em várias cadeias de produção, como a de automóveis, os produtos cruzam a fronteira diversas vezes ao longo do processo de produção. Com as tarifas, isso se tornaria inviável.

No caso do México, a maioria das fábricas exportadoras fica a menos de 50 quilômetros da fronteira com os EUA. Se os trabalhadores mexicanos dali ficarem sem emprego, a chance de eles tentarem imigrar para o território americano pode crescer.

Com as tarifas, os preços para os consumidores deverão subir tanto para compradores industriais quanto pessoas físicas. As importações industriais de Canadá e México pelos Estados Unidos se concentram em maquinário, eletrônicos, veículos, autopeças e combustíveis, como petróleo e gás. Entre os alimentos, a lista inclui cervejas, salgadinhos, frutas e vegetais, como abacate e tomates, além de carnes, brinquedos e calçados.

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