Repórter
Publicado em 27 de março de 2026 às 17h34.
Os valores dos combustíveis registraram nova alta nos postos brasileiros pela quarta semana consecutiva, segundo dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) nesta sexta-feira, 27. O movimento ocorre em paralelo a uma ação coordenada do governo para intensificar a fiscalização dos preços cobrados diretamente ao consumidor.
De acordo com a ANP, o preço médio da gasolina subiu de R$ 6,65 para R$ 6,78 por litro nesta semana, marcando a quarta elevação seguida, com variação de 1,96%. Já o diesel avançou 2,62%, passando de R$ 7,26 para R$ 7,45 por litro no mesmo período. O aumento está associado à valorização do petróleo no mercado internacional, que ultrapassou US$ 100 por barril em meio à escalada do conflito no Irã.
No acumulado do mês, o diesel apresenta alta de 23,56%, enquanto a gasolina registra aumento de 7,96%. Os dados reforçam a pressão recente sobre os preços dos combustíveis no país.
Nesta sexta-feira, a Polícia Federal iniciou a “Operação Vem Diesel”, voltada à fiscalização de postos em 11 estados e no Distrito Federal. A investigação considera possíveis infrações relacionadas à ordem tributária, econômica e às relações de consumo.
A operação reúne equipes da PF, da Secretaria Nacional do Consumidor, da própria ANP e de órgãos estaduais de defesa do consumidor. As ações ocorrem no Distrito Federal e nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Paraíba, Ceará, Tocantins e Goiás.
O cenário de abastecimento também apresenta restrições em diferentes regiões. Importadores e representantes do setor relatam dificuldades para trazer combustíveis ao país diante do aumento da demanda global após a intensificação do conflito no Oriente Médio, incluindo o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial.
Diante desse cenário, a Petrobras informou a ampliação da oferta de combustíveis para abril. O volume adicional de diesel S10 será de 70 mil metros cúbicos, equivalente a 2% da média mensal. Já a gasolina terá aumento de 95 mil metros cúbicos, cerca de 5% do total mensal entregue.
Na semana anterior, a ANP anunciou medidas para reforçar o monitoramento de estoques e importações, com o objetivo de evitar riscos ao abastecimento. Entre as determinações, a estatal deve fornecer dados detalhados sobre importações previstas, preços, logística e cronograma de chegada de navios.
Também nesta sexta-feira, medidas para conter a alta do diesel são debatidas no âmbito do Conselho Nacional de Política Fazendária, formado por secretários estaduais de Fazenda e coordenado pelo Ministério da Fazenda. O governo federal já zerou as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel, tributos que representam 12% do preço final, mas o impacto não foi percebido nas bombas após reajustes aplicados pela Petrobras às distribuidoras.
*Com informações da Agência O Globo.