Preço do leite pago a produtor tem 7ª alta seguida e atinge recorde, diz Cepea

A pesquisa mostra que o leite captado em julho e pago aos produtores em agosto se valorizou 11,8%
O valor médio do leite acumula avanço real de 60,7% desde janeiro/22 (Pixabay/Reprodução)
O valor médio do leite acumula avanço real de 60,7% desde janeiro/22 (Pixabay/Reprodução)
E
Estadão ConteúdoPublicado em 31/08/2022 às 15:27.

O preço do leite pago ao produtor registrou a sétima alta consecutiva em agosto e, com isso, alcançou novo recorde da série histórica do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, iniciada em 2004. Em relatório, a entidade diz que o avanço já era esperado por agentes do setor.

A pesquisa mostra que o leite captado em julho e pago aos produtores em agosto se valorizou 11,8%, chegando a R$ 3 5707/litro na "média Brasil" líquida do Cepea. "O valor médio do leite acumula avanço real de 60,7% desde janeiro/22 (os dados foram deflacionados pelo IPCA de julho/22)", indica.

O Cepea ressalta, no entanto, que pesquisas ainda em andamento indicam que o movimento de alta deve ser interrompido, com possibilidade de forte queda no preço do leite a ser pago ao produtor em setembro, referente à matéria-prima captada em agosto.

"O encarecimento do leite no campo ao longo dos últimos meses se deve à baixa disponibilidade (da matéria-prima)", explica a entidade.

Segundo o Cepea, o avanço da entressafra intensificou a restrição de oferta de leite, mas, neste ano, o setor enfrenta um enxugamento mais drástico da produção, devido à combinação de seca e mudanças estruturais no campo, desencadeadas pelo aumento nos custos de produção nos últimos anos e pelos menores níveis de investimentos na atividade. "Nesse cenário, a produção no campo entre junho e julho ficou abaixo da expectativa do setor, mantendo acirrada a disputa entre laticínios e cooperativas por fornecedores de leite cru", acrescentou. Com a captação abaixo do esperado, o Cepea apurou que houve diminuição importante nos estoques de lácteos e, consequentemente, o encarecimento expressivo dos derivados ao consumidor entre esses meses. "Porém os preços atingiram patamares tão elevados nas gôndolas que, desde a segunda quinzena de julho, observa-se enfraquecimento da demanda", observa.

De acordo com o Centro de Estudos, os estoques seguem aumentando no varejo. O levantamento do Cepea, que monitora as negociações diárias entre indústria e atacado paulista, mostrou diminuição nos preços dos lácteos ao longo de agosto. "Na média mensal, o leite UHT e a mussarela se desvalorizaram quase 15% e 10% de julho para agosto, respectivamente", aponta. Para a entidade, tais quedas no mercado de derivados devem ser transmitidas ao campo, resultando, em diminuição no preço do leite captado em agosto e a ser pago ao produtor em setembro.

Outro fator que deve interromper o movimento altista do produtor em setembro é o forte aumento das importações, que cresceram 27% em julho, diz o Cepea. A oferta no campo também deve voltar a aumentar nos próximos meses. "O incremento considerável nos preços do leite e a queda nas cotações da ração começaram a estimular uma recuperação gradual da produção no campo - sobretudo no Sul do País", indica.

Ao mesmo tempo, o Cepea analisa que é esperado o retorno das chuvas da primavera, o que tende a favorecer a disponibilidade das pastagens e, com isso, eleve a oferta de leite. "Forma-se um novo cenário no mercado, em que a demanda enfraquecida e o aumento das importações elevam os estoques de derivados, ao mesmo tempo em que a produção no campo dá sinais de recuperação" comenta.

Veja também: 

Massa de salários em circulação na economia aumenta R$ 14,979 bilhões em um ano

Brasil foi maior destino de investimentos da China em 2021 — e chineses prometem mais