Economia
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'Paulo Guedes tem feito muito no silêncio da microeconomia', diz Perfeito

André Perfeito, economista-chefe da Necton Investimentos, destrinchou a atuação do governo na Economia no podcast EXAME Política

EXAME Política: o desafio, no segundo semestre e em 2022, é seguir com esta agenda que tende a trazer resultados no longo prazo em meio ao acirramento da disputa eleitoral (Divulgação/Divulgação)

EXAME Política: o desafio, no segundo semestre e em 2022, é seguir com esta agenda que tende a trazer resultados no longo prazo em meio ao acirramento da disputa eleitoral (Divulgação/Divulgação)

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Da Redação

Publicado em 22 de junho de 2021, 12h03.

Última atualização em 24 de junho de 2021, 02h12.

A aprovação, pela Câmara dos Deputados nesta segunda-feira, da medida provisória de privatização da Eletrobras, é mais um capítulo de uma leva de mudanças econômicas levadas a cabo desde o início do governo de Jair Bolsonaro.

O pano de fundo deste e de outros projetos é uma agenda focada na microeconomia, destrinchada no último episódio do podcast EXAME Política por André Perfeito, economista-chefe da Necton Investimentos.

Semanalmente o podcast comandado por Fabiane Stefano, editora de macroeconomia da EXAME, e por Mauricio Moura, fundador da empresa de Pesquisas Ideia Big Data, analisa os movimentos mais recentes da política e da economia. Perfeito, em programa gravado antes da definição na Câmara, destacou os feitos do ministro da Economia.

Maurício Moura questionou Perfeito se Paulo Guedes é mais liberal ou mais bolsonarista. O economista da Necton fez sua leitura da atuação do ministro. "O Paulo Guedes observou no Bolsonaro uma janela de oportunidade de construir uma agenda liberal no Brasil. E o ministro tem feito esse processo. Ele não age no alarde da macroeconomia, mas no silêncio da microeconomia . Parece que é pouco, mas ele tem feito muita coisa", afirma. Entre os projetos, Perfeito cita a lei do gás, o marco ferroviário, a autonomia do Banco Central. "O sentido econômico que ele traz é de ajuste não do lado da demanda, mas da oferta".

O desafio, no segundo semestre e em 2022, é seguir com esta agenda que tende a trazer resultados no longo prazo em meio ao acirramento da disputa eleitoral. "Guedes e Bolsonaro acertaram algumas arestas, e não reverbero essa dúvida de que o ministro pode sair. Ele vai ficar até o final. Mas o foco no longo prazo é conflitante, em parte, com a agenda de um político", afirma.

Será decisivo no cenário eleitoral, concordam Perfeito e Moura, o momento da economia, e os cartuchos que o governo tem na manga para gastar. Com a inflação na casa dos 8%, o governo terá margem dentro do teto de gastos -- determinado pela inflação acumulada até julho. O desafio será evitar que a inflação pese negativamente sobretudo numa fatia da população que pode não ver o crescimento da economia.

"O crescimento não tem só ganhadores, há pessoas que vão sentir que não ganharam. A gente está com IPCA de mais de 8% e IGPM em 30%. E o brasileiro tem a alma indexada. Meu maior trabalho na corretora é calcular os 11 índices de inflação por mês", afirma Perfeito. A atuação de Paulo Guedes será olhada cada vez mais de perto por Perfeito e pelos 148 milhões de eleitores brasileiros.

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