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Carteira de ações da BNDES encolhe R$ 5,8 bilhões com coronavírus

Segundo presidente do BNDES, Gustavo Montezano, carteira de participações do banco estatal em companhias vale cerca de R$ 115 bilhões

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BNDES: "Queremos ser o banqueiro de investimento do Estado brasileiro", afirmou Montezano (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

BNDES: "Queremos ser o banqueiro de investimento do Estado brasileiro", afirmou Montezano (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A
Agência O Globo

Publicado em 29 de janeiro de 2020, 16h51.

Última atualização em 29 de janeiro de 2020, 17h08.

São Paulo — A onda de preocupação com a rápida disseminação do coronavírus, que derrubou as Bolsas de Valores de todo o mundo no início da semana, deixou um prejuízo de R$ 5,8 bilhões para a BNDESpar, subsidiária do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que possui uma carteira de ações de cerca de R$ 115 bilhões.

A informação foi divulgada pelo presidente do banco de fomento, Gustavo Montezano, durante evento em São Paulo nesta quarta-feira. A perda, provocada pela desvalorização das ações de empresas que o banco estatal tem participação, corrobora o objetivo do banco dese desfazer desses ativos até 2022 para evitar correr riscos de mercado, segundo destacou o presidente do banco.

"O BNDES é um dos maiores hedge funds do mundo. Nossa carteira de ações é totalmente despropositada para o objetivo que a gente quer no banco, que é ser um facilitador entre a iniciativa privada e o governo para quem quer ajudar o Brasil", disse Montezano, durante evento promovido pelo Credit Suisse.

Ele disse que o BNDES não tem como objetivo ganhar dinheiro de forma especulativa e, na prática, quem perdeu dinheiro com a desvalorização da carteira de ações foi a população. Montezano disse que até 2022 a carteira de ações do banco, que tem papeis como Petrobras, Vale, entre outras, estará próxima de zero.

Investimento temporário

"Com isso, vamos utilizar a estrutura e a inteligência do banco para melhorar a vida dos cidadãos e não ter preocupação com o risco do mercado financeiro".  Ele disse que o banco vai continuar investindo em empresas, mas de forma temporária.

Montezano disse que o BNDES não tem mais metas financeiras de desembolsos ou lucratividade. O papel do banco mudou, afirmou o presidente da instituição, e o 'controlador', que é o governo, quer que sejam entregues resultados sociais.

"Agora temos metas da vida real. Até 2022 queremos tocar adiante projetos de concessões para levar saneamento a 22 milhões de brasileiros, iluminação pública a 14 milhões de pessoas, banda larga a 8 milhões de consumidores. E não importa quem será o financiador - o banco público, privado ou o mercado de capitais. O objetivo é que o saneamento chegue às cidades", observou.

Áreas prioritárias

Ele disse que além do saneamento, outras duas áreas prioritárias são gás e preservação florestal, que deve incluir projetos para monetizar e preservar os ativos brasileiros. Na reunião de Davos, doFórum Econômico Mundial, da qual Montezano participou, o Brasil foi cobrado por ações de preservação do meio ambiente.

"Temos parques no Brasil que equivalem a área da Alemanha e apenas 12 milhões de pessoas visitam essas áreas por ano. Nos Estados Unidos, são 300 milhões de visitantes nos parques".

Montezano afirmou que cada vez mais a iniciativa privada terá que participar de atividades que hoje são atribuídas ao Estado. Por isso, o banco quer estimular a criação de fundos para investimento em infraestrutura que tenham participação da iniciativa privada. Ele disseque já foi criado um fundo de R$ 200 milhões para investimento em tecnologia com participação da Qualcomm e do BNDES.

O presidente do banco público voltou a afirma que a auditoria realizada na instituição não encontrou irregularidades nas operações, e que o BNDES está sendo muito transparente sobre isso.

"Tudo foi virado e desvirado e as operações foram legais, baseadas em normas, regras, decretos presidenciais. Se em 2 ou 3 meses surgir outro tema do passado, o banco virá a público para explicar", disse.

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