Novo cenário político e econômico nos EUA deve favorecer o dólar

De acordo com a EXAME Gavekal Research, parceria da casa de análises da EXAME com a consultoria global, moeda americana deve se valorizar em relação a outras no curto prazo
Joe Biden: novo pacote de estímulo fiscal e cenário político favorável apontam para fortalecimento do dólar (Joshua Roberts/Getty Images)
Joe Biden: novo pacote de estímulo fiscal e cenário político favorável apontam para fortalecimento do dólar (Joshua Roberts/Getty Images)
Carla Aranha
Carla Aranha

Publicado em 18/01/2021 às 19:51.

Última atualização em 18/01/2021 às 20:03.

O novo cenário político e econômico nos Estados Unidos, com Joe Biden na Presidência e um Senado que não será obstáculo à agenda do Partido Democrata, deve trazer ganhos para o mercado e puxar a valorização do dólar diante outras moedas no curto prazo, segundo avaliação da EXAME Gavekal Research.

O pacote de estímulo anunciado pelo presidente eleito na última quinta-feira, dia 14, deve injetar 1,9 trilhão de dólares na economia,mas que depende ainda de aprovação do Senado. E, com um Senado dividido, no qual a vice-presidente Kamala Harris terá o voto de minerva e poderá desempatar votações, as chances de aprovação ganham força.

O auxílio, dirigido às classes menos favorecidas, deve aumentar o consumo das famílias. A proposta é expandir o benefício que os desempregados recebem de 300 dólares por semana para 400 dólares.

 

Além disso, a política fiscal mais expansionista deverá agradar os mercados. Segundo a Gavekal, um dos impactos mais evidentes disso deverá ser a valorização do dólar no curto prazo.

A expectativa é que a economia americana recupere seu potencial de crescimento. O PIB deve crescer cerca de 6,6% este ano, segundo projeções do banco Goldman Sachs. Ao mesmo tempo, o desemprego deve cair para 4,8% até o final do ano – em dezembro, fechou em 6,7%.

Ao menos parte desse crescimento deverá ser puxado por novos investimentos, principalmente em fontes de energia renováveis e economia verde, que estão em ascensão.

Mas ainda há alguns sinais cinzentos no horizonte. Na avaliação da Gavekal, é preciso lembrar que o aumento de 60 pontos-base nos rendimentos dos títulos de dez anos do Tesouro, realizado no ano passado, não manteve o valor do dólar em comparação a outras moedas. Com isso, os mercados de câmbio começaram a direcionar os esforços para outras partes do mundo.

Além disso, o governo dos Estados Unidos terá de rolar cerca de 8 trilhões de dólares em dívida e será necessário emitir 2 trilhões de dólares ou mais em novas dívidas para financiar o déficit. O Fed aumentou seu balanço em 141 bilhões em dezembro. Emitir dinheiro para financiar gastos do governo quase nunca leva ao fortalecimento da moeda, alerta a Gavekal.

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