Repórter
Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 18h54.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, declarou nesta sexta-feira que a expectativa do governo é de que o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia seja implementado ainda neste ano.
"Este acordo fortalece o multilateralismo e o comércio entre os dois blocos. Ele promove investimentos, promove emprego, comércio com regras claras e fortalece a sustentabilidade. É um ganha-ganha, com produtos mais baratos e de melhor qualidade. O acordo deve ser assinado nos próximos dias, e nossa expectativa é de que a vigência ocorra ainda este ano", afirmou Alckmin, em entrevista coletiva.
Alckmin explicou que, após a assinatura, o próximo passo será a internalização do acordo por cada um dos países participantes.
"Após a assinatura, ele (o acordo) precisa ser internalizado, ou seja, aprovado pelo Congresso Nacional de cada país do Mercosul e pelo Parlamento Europeu. Se o Congresso brasileiro votar e aprovar ainda no primeiro semestre, o acordo já pode entrar em vigor para o Brasil, independentemente da aprovação dos outros parceiros".
Nesta sexta-feira, uma maioria qualificada de Estados europeus manifestou apoio suficiente ao acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, durante reunião dos embaixadores dos 27 países do bloco. Apesar da resistência de França, Polônia, Áustria, Hungria e Irlanda, e da abstenção da Bélgica, o grupo atingiu os dois critérios necessários para a aprovação da proposta: o respaldo de pelo menos 55% dos Estados-membros, que representem no mínimo 65% da população da União Europeia.
A mudança de posicionamento da Itália, após concessões específicas voltadas à proteção dos produtores agrícolas europeus, foi determinante para a formação dessa maioria. Com isso, criou-se o ambiente político para que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, viaje ao Paraguai — país que atualmente ocupa a presidência rotativa do Mercosul — para formalizar a assinatura do tratado.
O acordo entre Mercosul e União Europeia é resultado de mais de duas décadas de negociações e é considerado um marco por estabelecer uma das maiores zonas de livre-comércio do mundo, abrangendo cerca de 720 milhões de consumidores. Juntas, as economias dos dois blocos somam um Produto Interno Bruto estimado em aproximadamente US$ 22 trilhões.
Apesar do avanço diplomático, o tratado não terá efeito imediato. No âmbito europeu, a parte comercial do acordo ainda precisa ser aprovada por maioria simples no Parlamento Europeu. Já os dispositivos de natureza política dependem da ratificação pelos parlamentos nacionais dos 27 países do bloco, o que pode levar anos, embora não impeça a aplicação da parte comercial durante esse processo.
No lado sul-americano, o texto também deverá ser submetido aos congressos nacionais dos países do Mercosul. No Brasil, caberá ao Congresso Nacional avaliar e aprovar o tratado.Para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o avanço das negociações ocorre em um cenário de fragilidade do multilateralismo e de crescimento de medidas unilaterais no comércio internacional. Interlocutores do Planalto consideram que o acordo tem valor estratégico ao reforçar a importância de regras comuns, previsibilidade institucional e diversificação de parcerias.
Segundo integrantes do governo, os efeitos econômicos serão graduais, uma vez que os prazos para redução de tarifas podem se estender por até 15 anos. O impacto mais imediato é de natureza política e institucional, ao reafirmar a viabilidade de soluções negociadas entre grandes blocos em um contexto global marcado por incertezas e disputas comerciais.
O presidente Lula disse que a aprovação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia é "uma sinalização em favor do comércio internacional como fator para o crescimento econômico, com benefícios para os dois blocos", em um contexto de crescente protecionismo e unilateralismo.
Em publicação divulgada nas redes sociais, o presidente disse que esta sexta é um "dia histórico para o multilateralismo". Ele ressaltou que os dois blocos, juntos, somam 718 milhões de pessoas e têm um PIB de US$ 22,4 trilhões.
"O texto amplia alternativas para exportações brasileiras e investimentos produtivos europeus e simplifica regras comerciais para os dois lados. Uma vitória do diálogo, da negociação e da aposta na cooperação e na integração entre os países e blocos", afirmou o presidente.
Dia histórico para o multilateralismo. Após 25 anos de negociação, foi aprovado o Acordo entre Mercosul-União Europeia, um dos maiores tratados de livre comércio do mundo. A decisão chancelada pelo lado europeu une dois blocos que, juntos, somam 718 milhões de pessoas e um PIB de…
— Lula (@LulaOficial) January 9, 2026
(Com informações do jornal O Globo)