Economia

Não existe bolha de IA; temos uma escassez de computação, diz Larry Fink

Para CEO da gestora, a demanda por inteligência artificial cresce mais rapidamente do que a oferta

Larry Fink, CEO da BlackRock, e Armando Senra, head de Americas: líder global da gestora aponta um desencontro entre demanda e oferta na IA (Luciano Pádua/Divulgação)

Larry Fink, CEO da BlackRock, e Armando Senra, head de Americas: líder global da gestora aponta um desencontro entre demanda e oferta na IA (Luciano Pádua/Divulgação)

Luciano Pádua
Luciano Pádua

Editor de Macroeconomia

Publicado em 11 de maio de 2026 às 20h00.

Última atualização em 11 de maio de 2026 às 20h28.

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NOVA YORK — Enquanto parte do mercado começa a questionar o ritmo acelerado de investimentos em inteligência artificial e levantar dúvidas sobre uma possível bolha no setor, o CEO da BlackRock, Larry Fink, afirma enxergar exatamente o problema oposto: falta infraestrutura para sustentar a expansão global da tecnologia.

“O maior problema é que a demanda está crescendo mais rápido do que a oferta”, afirmou Fink durante evento promovido pela Amcham e pela BlackRock, realizado nesta segunda-feira, 11, na sede da gestora em Nova York. "Não existe bolha de IA."

A declaração ocorre em um momento em que investidores em Wall Street debatem até que ponto o atual ciclo de investimentos em inteligência artificial é sustentável. Nos últimos meses, analistas e gestores passaram a comparar o entusiasmo com IA ao período da bolha da internet dos anos 1990, especialmente diante da disparada das ações ligadas ao setor e do volume recorde de gastos anunciados pelas gigantes de tecnologia.

Fink, porém, afirmou que o mundo vive hoje uma escassez estrutural de capacidade computacional, energia e componentes necessários para atender ao avanço da inteligência artificial.

“Temos uma escassez de computação. Temos uma escassez porque não temos energia suficiente. Temos uma escassez porque não temos GPUs e CPUs suficientes. Temos uma escassez porque não temos memória [computacional] suficiente”, disse.

Segundo o executivo, ele conversou nos últimos dias com CEOs e lideranças das principais hyperscalers americanas — empresas que operam grandes plataformas globais de computação em nuvem — e ouviu avaliações semelhantes sobre o desequilíbrio entre demanda e oferta.

“A curva de demanda está crescendo mais rápido do que a oferta”, afirmou.

A visão de Fink contrasta com a de parte do mercado, que teme excesso de capacidade ou retorno insuficiente sobre os investimentos bilionários anunciados pelas big techs. Para o CEO da BlackRock, a inteligência artificial ainda está em estágio inicial de adoção e o uso corporativo da tecnologia deve crescer exponencialmente nos próximos anos.

Segundo ele, apenas seis empresas americanas devem investir cerca de US$ 700 bilhões em despesas de capital voltadas à expansão de infraestrutura tecnológica.

“Você tem sete empresas nos Estados Unidos que vão gastar US$ 700 bilhões em Capex [investimentos]”, afirmou. “O CapEx de todo o mercado europeu é de cerca de US$ 200 bilhões.”

Gargalo energético da IA

Na avaliação do executivo, o principal gargalo para a expansão da IA tende a ser energético — e não financeiro.

“Se não tivermos energia barata suficiente, será difícil para um continente ou um país competir”, disse.

Fink afirmou que a corrida global pela inteligência artificial está transformando energia em um ativo estratégico para competitividade nacional.

China bem posicionada

Para ele, a China saiu na frente nessa disputa ao acelerar investimentos em geração elétrica voltada à nova economia digital.

“A China está construindo algo como 150 GigaWatts (GW) de energia nuclear e solar”, afirmou. “Eles estão se preparando para a revolução da IA como nenhum outro país jamais se preparou.”

Nos Estados Unidos, disse o executivo, há gargalos relevantes na cadeia energética, incluindo uma fila de até cinco anos para aquisição de turbinas a gás.

“Há uma fila de cinco anos para turbinas a gás. Você não consegue comprar uma turbina a gás antes de 2030 ou 2031”, afirmou.

Diante desse cenário, Fink defendeu uma postura “agnóstica” em relação às fontes de energia, incluindo gás natural, nuclear e renováveis.

“Precisamos ser agnósticos em relação à energia”, disse. “Nós simplesmente precisamos de mais e mais energia.”

Benefício do Brasil

O executivo também citou o Brasil como um potencial beneficiário da nova economia ligada à inteligência artificial, por causa da abundância de recursos naturais e capacidade de geração renovável.

“Em países como o Brasil, que têm abundância de sol e hidrocarbonetos, isso pode representar um florescimento para o Brasil”, afirmou.

Segundo Fink, países com acesso competitivo a energia, território e infraestrutura poderão atrair investimentos em data centers, computação e indústrias ligadas à inteligência artificial.

Para ele, os impactos da IA devem ir muito além do setor de tecnologia e acelerar processos industriais, desenvolvimento de medicamentos, engenharia e produtividade corporativa.

“A velocidade com que os processos industriais vão acontecer — essa é a parte abundante”, afirmou. “Estamos apenas no começo.”

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