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Brasil não terá excedente de gás natural até 2022

"Temos visto cada vez mais que não temos, no balanço de oferta e demanda, os excedentes estruturais de gás disponíveis", afirmou Symone Araújo

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	Segundo a executiva, a expansão da oferta de gás no Brasil dependerá essencialmente das ações da Petrobras, principal agente do mercado
 (AFP/ Vanderlei Almeida)

Segundo a executiva, a expansão da oferta de gás no Brasil dependerá essencialmente das ações da Petrobras, principal agente do mercado (AFP/ Vanderlei Almeida)

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Wellington Bahnemann

Publicado em 12 de junho de 2013 às, 15h29.

Rio - Estudos elaborados pelo governo federal mostram que no setor de gás natural não há uma sobreoferta estrutural do insumo até 2022, considerando as descobertas atuais de reservas de gás e as projeções de demanda. 

"Temos visto cada vez mais que não temos, no balanço de oferta e demanda, os excedentes estruturais de gás disponíveis", afirmou a diretora do Departamento de Gás Natural do Ministério de Minas e Energia, Symone Araújo.

Segundo a executiva, a expansão da oferta de gás no Brasil dependerá essencialmente das ações da Petrobras, principal agente do mercado, produzindo em torno de 90% do gás nacional.

Nesse contexto, Symone lembrou que a estatal tem dito de forma bastante clara que a prioridade do uso do gás do pré-sal é para aumentar a produtividade dos poços na extração de petróleo. "Há uma grande ansiedade em relação ao pré-sal, mas a Petrobras tem dito de forma clara que o pré-sal é fundamentalmente um projeto de óleo", comentou a diretora do MME.

Adicionalmente, o governo tem uma expectativa grande sobre os resultados das atividades exploratórias na Bacia do São Francisco. Contudo, Symone disse que os dados sobre o real potencial dessa região levarão certo tempo para serem conhecidos pelo mercado. "A Petra, a empresa mais avançada (nos estudos da bacia), tem indicado para nós que precisa de mais um ou dois anos para definir melhor os potenciais da região", revelou a executiva.

A expectativa do MME é de que os blocos licitados na 7ª e 10ª Rodadas de Licitação da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) possam trazer um acréscimo na produção no insumo. "Os blocos podem, a exemplo do que aconteceu na Bacia do Parnaíba, trazer alguns resultados promissores", projetou Symone.

O cenário pode mudar radicalmente caso sejam feitas novas descobertas de gás convencional e não convencional em campos em terra, hoje uma das prioridades da política energética do governo federal. A 12ª Rodada da ANP, que será realizada nos dias 28 e 29 de novembro deste ano, será focada no desenvolvimento das reservas do insumo em campos onshore. "Temos que esperar os efeitos das rodadas em terra, que imaginamos que podem produzir algum resultado em torno de cinco anos", afirmou Symone.

Expansão

O MME prevê divulgar até o mês que vem a primeira versão do plano de expansão da malha de gasodutos, o PEMAT. "A nossa intenção é colocar essa versão preliminar no site do MME e no site da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em junho ou, no mais tardar, em julho", disse Symone.

Apesar da enorme expectativa do setor, a executiva reconheceu que a primeira versão do PEMAT não irá resolver todos os problemas do mercado. "Temos um conjunto de alternativas que foram estudadas, e algumas delas, apesar de estudadas profundamente, tiveram que ser colocadas em stand by nesse ciclo", argumentou Symone. O grande entrave é a inexistência de novas ofertas estruturantes de gás para o transporte dentro dos novos gasodutos.

"Não haverá, em princípio, uma expansão em que não se possa oferecer a molécula do gás para ser movimentada no gasoduto", justificou a executiva. Nesse sentido, a primeira versão do plano pode gerar um pouco de frustração nos agentes do mercado, tendo em vista que não atenderá a uma série de pleitos do setor. "Vamos continuar com uma série de demandas potenciais não atendidas por não conseguir estruturar uma oferta", acrescentou.

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