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Ministério propõe reajuste acima da inflação para Bolsa Família

Proposta prevê a concessão de aumento acima da inflação apenas para famílias que tiverem filhos em segundo turno escolar ou no técnico
Bolsa Família: com a mudança, o governo teria de desembolsar cerca de R$ 3 bilhões para reajustar o valor do benefício (Divulgação/Ana Nascimento/Ministério do Desenvolvimento Social)
Bolsa Família: com a mudança, o governo teria de desembolsar cerca de R$ 3 bilhões para reajustar o valor do benefício (Divulgação/Ana Nascimento/Ministério do Desenvolvimento Social)
Por Estadão ConteúdoPublicado em 03/04/2018 09:27 | Última atualização em 03/04/2018 09:27Tempo de Leitura: 3 min de leitura

Brasília - Prestes a deixar o governo para concorrer às eleições, o ministro do Desenvolvimento Social, Osmar Terra, tenta emplacar uma nova política de reajuste do Bolsa Família este ano.

A proposta, entregue nessa segunda-feira, 2, ao presidente Michel Temer, prevê a concessão de aumento acima da inflação apenas para famílias que tiverem filhos em segundo turno escolar ou em programas de capacitação técnica.

Com a mudança, o governo teria de desembolsar cerca de R$ 3 bilhões para reajustar o valor do benefício - o triplo do que previa gastar concedendo apenas a inflação.

Temer ainda vai analisar as planilhas antes de bater o martelo e baixar o decreto. O ministro Osmar Terra disse ao Estadão/Broadcast que já é dado como certo um reajuste de 2,95%, para repor a inflação de 2017. Ele considera o "aditivo" um incentivo para que as famílias tenham uma porta de saída do programa.

"Essas condicionantes mudam mais a realidade familiar do que só controlar a presença escolar", disse Terra. Hoje, as famílias que recebem Bolsa Família já precisam cumprir regras de assiduidade escolar e manter a carteira de vacinação dos filhos em dia, mas a avaliação de Terra é de que isso é insuficiente para dar condições de saída aos beneficiários.

Com a mudança, o reajuste acima da inflação seria condicionado ao cumprimento das novas condicionantes. "A gente não fechou um número, mas seria um valor bem maior (de reajuste). Pode ser 5%, 10%."

As aulas em segundo turno escolar e os cursos profissionalizantes seriam oferecidos em convênio com as prefeituras, que teriam prazo de alguns meses para se adaptar e ofertar as vagas. Há também uma opção de prever, como uma das condições, a participação de beneficiários em programas de geração de emprego.

Orçamento

A decisão do presidente Michel Temer vai depender de espaço no Orçamento, que tem R$ 18,2 bilhões bloqueados atualmente diante de riscos de frustração de receitas. Há também a barreira do teto de gastos - que exige o cancelamento de despesas para dar lugar a novos gastos.

Mas Terra acredita que os recursos para viabilizar o reajuste maior no Bolsa Família podem sair da economia esperada com a revisão de benefícios, como auxílio-doença e aposentadoria por invalidez.

O governo espera concluir até o fim deste ano o pente-fino nos 1,5 milhão de benefícios que estavam sem avaliação havia mais de dois anos. A economia adicional esperada em 2018 é de R$ 10 bilhões, segundo o ministro.

O Orçamento conta hoje com apenas metade dessa poupança, ou seja, há possibilidade de que outros R$ 5 bilhões em despesas hoje programadas acabem sendo liberados para outros gastos - abrindo caminho para o reajuste diferenciado no Bolsa Família. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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