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Minério de ferro acende a luz vermelha da inflação

IGP-10 de maio registra alta de 19,84% do mineral metálico, que possui efeito multiplicador nos produtos industriais
Reajuste do minério de ferro tem efeito cascata nos produtos industriais (.)
Reajuste do minério de ferro tem efeito cascata nos produtos industriais (.)
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Luís Artur NogueiraPublicado em 14/05/2010 às 12:10.

Os reajustes do minério de ferro anunciados no 1º trimestre estão a caminho do bolso do consumidor. O primeiro passo já foi dado no atacado, com a alta de 21,02% em maio apurada pelo Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10). Para se ter uma ideia da magnitude desse movimento, um terço da inflação total do mês (1,11%) foi causada apenas pelo minério de ferro.

"O resultado de hoje (14), enfim, registrou a tão anunciada elevação dos preços do minério de ferro, que pressionará o IPA-Industrial nas próximas leituras dos IGPs, mantendo estes últimos em patamar superior a +1%", diz relatório da LCA Consultores.

Os analistas avaliam que o próximo passo é a alta dos preços do aço e, consequentemente, de carros e imóveis em construção, por exemplo. O comportamento dos produtos industriais neste ano é totalmente diferente do registrado em 2009, quando o segmento teve deflação de 4,93%. Em 2010, em apenas cinco meses, o índice já acumula alta de 4,37%.

Para piorar o cenário, não é apenas o custo do aço que vai turbinar os preços industriais. O fim do IPI reduzido e o mercado interno extremamente aquecido são álcool na fogueira da inflação, ou seja, o ambiente econômico favorece esses repasses.

O Banco Central (BC), que olha esses dados com lupa, já está com o dedo no gatilho da metralhadora dos juros. O primeiro tiro foi dado na reunião de abril do Comitê de Política Monetária (Copom) e o próximo virá em junho. A ajuda do governo, que anunciou cortes de gastos, é bem-vinda, destacou o presidente do BC, Henrique Meirelles, mas insuficiente para aliviar a árdua tarefa da instituição, na opinião da Tendências Consultoria.

A questão realmente não é simples. O início do ano foi marcado por um choque de oferta de alimentos (os produtos agrícolas no atacado acumulam alta de 4,83%) por questões climáticas. Agora, os custos dos produtos industriais são afetados pelo minério de ferro. Com a economia brasileira crescendo num ritmo chinês, fica difícil imaginar que esses repasses não cheguem ao bolso do consumidor.

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