Mercado tem a menor volatilidade em período eleitoral desde redemocratização, diz Esteves

Essa avaliação foi feita por André Esteves, chairman e sócio sênior do BTG Pactual, durante o MacroDay 2022, realizado nesta quinta-feira, 18
André Esteves: chairman e sócio sênior do BTG Pactual (BTG Pactual/Divulgação)
André Esteves: chairman e sócio sênior do BTG Pactual (BTG Pactual/Divulgação)
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Gilson Garrett Jr

Publicado em 18/08/2022 às 15:09.

Última atualização em 18/08/2022 às 16:01.

A menos de dois meses das eleições, o Brasil está mais ao centro e não nos extremos, com instituições capazes de garantir o pleito, equilíbrio e atrair investimentos ao país. Essa foi a avaliação de André Esteves, chairman e sócio sênior do BTG Pactual, durante o MacroDay 2022, evento do banco BTG Pactual (do mesmo grupo que controla a EXAME), realizado nesta quinta-feira, 18.

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“Temos diversos atores institucionais e o Brasil está muito mais ao centro do que se parece. Os extremos são mais vocais e isso não é Brasil. O país evoluiu, passou por vários ciclos, e teve várias conquistas. Desde que nos redemocratizamos, andamos para frente. Um exemplo disso é olhar a boa qualidade de companhias que nós temos”, afirmou.

André Esteves ainda destacou que essa estabilidade institucional tem reflexo direto no mercado. Diferentemente das eleições de 2002, por exemplo, quando a bolsa e o dólar ficaram muito voláteis, hoje os investidores se sentem confiantes em aplicar e manter o dinheiro no Brasil, mesmo com uma acirrada disputa eleitoral.

“As eleições são parte da nossa evolução institucional que o Brasil passou. Antes, o processo era carregado de maniqueísmo, do bem contra o mal. E o mercado apresentava enorme volatilidade. Agora, o mercado está apresentando a menor volatilidade desde a redemocratização brasileira”, disse.

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Para Esteves, todos os candidatos demonstram que vão manter uma garantia institucional e isso ajuda o investidor a tomar decisões no longo prazo. “Essa não volatilidade te permite se planejar e as eleições são um tema menor para a formação da carteira”, explicou.

Segundo ele, a estabilidade institucional permitiu, inclusive, o aumento de gastos do governo para enfrentar a pandemia de covid-19, sem deixar de lado políticas econômicas. “O Brasil conseguiu entregar e atravessar esse caos que foi a pandemia. Deixou muitas mazelas, mas a gente foi bem em gerir essa parte econômica”, avaliou.

No histórico, Esteves disse que o Poder Judiciário passou por um processo, há cerca de dez anos, de maior independência e autonomia, julgando e condenando grandes empresários e políticos. Nos últimos dois anos, foi a vez de o Poder Legislativo ter uma voz mais ativa na aplicação do orçamento federal.

“Não estamos acostumados à independência dos três poderes. Isso traz uma altivez para o Congresso, que me agrada. A probabilidade de uma pessoa sozinha errar é muito maior do que 500. Eu vejo isso [maior autonomia orçamentária do Congresso] como um avanço institucional, com o Congresso tendo uma independência do Executivo”, disse.

Olhando para o mundo, Esteves avaliou que o Brasil tem uma grande oportunidade nos próximos anos. Para ele, o país pode se tornar um local de concentração de produção industrial de cadeias produtivas longas, justamente por essa estabilidade institucional.

“A guerra entre a Rússia e a Ucrânia não precificou, mas mudou o preço do Leste Europeu. As cadeias globais vão se organizando não só pelo mote da eficiência, mas também pela questão de segurança e geopolítica. Se tivermos juízo institucional, temos tudo para ser um grande receptáculo das cadeias produtivas longas”, disse.

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