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Mensalidades escolares devem subir o dobro da inflação em 2023, aponta pesquisa

Mais da metade dos colégios (63%) pretende aumentar acima de 10% o valor da mensalidade em 2023

Os dados são de uma pesquisa feita pela consultoria Meira Fernandes, especializada em educação (arquivo/Agência Brasil)

Os dados são de uma pesquisa feita pela consultoria Meira Fernandes, especializada em educação (arquivo/Agência Brasil)

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Estadão Conteúdo

Publicado em 30 de novembro de 2022, 21h02.

Quem tem filhos em escola pode preparar o bolso para bancar um forte reajuste da mensalidade no ano que vem. Mais da metade dos colégios (63%) pretende aumentar acima de 10% o valor da mensalidade em 2023. É uma taxa que é o dobro da inflação oficial prevista para este ano (5,02%), medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPCA), de acordo com último Boletim Focus do Banco Central. Também supera as projeções do mercado para o IPCA do ano que vem (5,91%).

Os dados são de uma pesquisa feita pela consultoria Meira Fernandes, especializada em educação. Entre os dias 24 de outubro e 29 de novembro foram consultadas mais de 70 escolas presentes em seis Estados que respondem por mais de 36 mil matrículas. "É o maior reajuste em dois anos", afirma Rogério Caramante, gestor comercial da consultoria e responsável pela pesquisa.

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Na edição da pesquisa do ano passado para capturar os reajustes previstos para este ano, a maioria das escolas (53%) tinha apontado aumentos entre 7% e 10%.

"Não tenho dúvidas que vai aumentar acima de 10%", afirma o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (Sieeesp), Benjamin Ribeiro da Silva. A justificativa dos colégios para um reajuste tão expressivo é a forte pressão da despesa com pessoal, que pesa cerca de 60% na mensalidade, segundo Sieesp, além do aluguel e gastos com água, luz e impostos.

De acordo com Mabely Meira Fernandes, diretora da consultoria que administra as finanças de mais de 1,5 mil escolas, neste ano o reajuste do salário dos professores em São Paulo foi de 10,57% e a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de 15%. No caso dos auxiliares de ensino, o aumento foi de 8%. E o dissídio e a convenção coletiva dos profissionais da educação para o ano que vem deve ficar em 18%.

"Só por conta desses aumentos, a reposição teria de ser de, no mínimo, 20% no valor das mensalidades em 2023, e as escolas estão segurando (os repasses de aumento de despesas) e dando entre 10% e 12%", justifica Camarante.

Silva, do Sieeesp, ressalta que as escolas têm permissão de aumentar preços uma vez por ano e os reajustes precisam ser justificados. "Não existe número mágico." Ele destaca que a queda recente que houve na inflação foi forçada pelo governo. E a perspectiva, segundo estudos da entidade, é que até março, quando ocorre os reajustes dos professores, o IPCA acumulado em 12 meses suba para 9%.

O presidente do sindicato lembra que as instituições de ensino investiram muito em tecnologia em razão da pandemia e ainda não repassaram essa despesas integralmente para as mensalidades. O que poderá frear os aumentos das mensalidades, na sua avaliação, é a grande concorrência que há no setor.

Décimo terceiro salário deve ajudar mais a quitar atrasos em relação a outros anos

Um ponto de destaque captado pela pesquisa foi o grande volume de atrasos nas mensalidades ao longo do ano por conta da conjuntura econômica complicada. Neste ano, 63% das escolas informaram que os atrasos no pagamento das mensalidades passou de 5% ou mais, enquanto 37% registraram índices entre 0,5% e 4%. Foram poucas as escolas que não sentiram na receita mensal impactos do não pagamento das mensalidades.

No entanto, uma saída cada vez mais comum para quitar dívidas pendentes é usar o 13º salário, que começa a ser pago hoje (30 de novembro) e vai até 20 de dezembro, para quitar as pendências. Nas contas do Dieese, neste ano serão injetados R$ 250 bilhões de recursos extras.

Um indicação de que muitos aguardam o recebimento desses recursos para quitar dívidas em atraso é que, na pesquisa deste ano, apenas 9% das instituições já tinham recebido a rematrícula dos alunos para 2023 até o dia 29 de novembro. Também nenhuma das mais de 70 escolas consultadas havia atingido até a data 100% das rematrículas efetuadas.

Camarante diz que, em anos anteriores, quando chegava outubro e novembro, 100% das escolas estavam com as matrículas realizadas para 2023. "O fato de este ano as rematrículas estarem atrasadas indica que muitos pretende usar os recursos do 13º para colocar em ordem as pendências." Esse movimento se intensificou, segundo o presidente do Sieeesp.

De acordo com a legislação em vigor, para fazer a matrícula do próximo ano e não se tornar inadimplente, os pais precisam quitar as mensalidades em atraso antes de o ano virar. O aluno só é considerado inadimplente pela lei e impedido de frequentar a escola no ano seguinte, se as mensalidades em atraso do ano anterior não tiverem sido quitadas.

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