Lucro dos bancos cai 26% em 2020, para R$ 88,6 bi, por risco de calote

Ganhos despencaram, mas BC avalia que sistema financeiro está preparado para enfrentar incertezas da crise sanitária

Devido aos efeitos da pandemia da covid-19 na economia, o Sistema Financeiro Nacional (SFN) registrou um lucro de R$ 88,6 bilhões em 2020, resultado 26% inferior aos R$ 119,7 bilhões de 2019. A informação consta no Relatório de Estabilidade Financeira divulgado pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira.

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De acordo com o relatório, os bancos aumentaram suas despesas com provisões (recursos reservados para enfrentar possível inadimplência de pagamentos) e diminuíram a renda com serviços oferecidos.

Dessa forma, a rentabilidade das instituições ficou prejudicada em relação ao ano anterior, o que diminuiu os lucros.

“O aumento das provisões para perdas com crédito foi o principal responsável pela queda da rentabilidade do sistema. As despesas com provisões somaram R$111,2 bilhões em 2020, alta de 30% em relação a 2019. A relação entre essas despesas e a carteira de crédito também aumentou expressivamente e se aproximou dos níveis observados na crise de 2015-2016” — aponta o documento.

O BC avaliou que a queda na rentabilidade dos bancos não apresenta risco para a estabilidade financeira. Para o próximo ano, a autoridade monetária acredita que o sistema financeiro está “preparado” para enfrentar a continuidade da crise da Covid-19.

Dessa forma, o Banco Central projeta uma melhora na rentabilidade do sistema financeiro em 2021 por conta do já elevado nível de provisões e da retomada da atividade econômica.

A avaliação é que as provisões feitas em 2020 vão reduzir a necessidade de reservar mais recursos neste ano, elevando a rentabilidade do sistema. Em outro ponto, a melhora da atividade econômica pode contribuir para o aumento de crédito e “favorecer a demanda por serviços bancários”.

O diretor de Fiscalização do BC, Paulo Souza, afirmou que é possível que os bancos voltem ao mesmo nível de lucro registrado antes da crise já neste ano. Ele explica que as provisões feitas em 2020, a possibilidade de redução de despesas com o Pix e uma aceleração na concessão de crédito podem contribuir para o cenário.

— Acreditamos que o nível de despesas com provisão vai ficar muito próximo ao que aconteceu em 2018 e 2019, então é possível os bancos voltarem a ter um lucro em termos nominais igual ao que aconteceu em 2019, um lucro na faixa de R$ 120 bilhões no cenário base — explicou Souza.

Crédito cresce no segundo semestre

Apesar da perspectiva positiva para o ano, o crescimento do crédito bancário de 11,9% no segundo semestre de 2020 não deve se repetir nos primeiros seis meses deste ano.

De acordo com o BC, aproximadamente 80% do aumento registrado no fim do ano passado aconteceu por conta de programas governamentais de incentivo ao crédito, principalmente para pequenas empresas.

O Pronampe, por exemplo, chegou a R$ 37,5 bilhões para micro e pequenas empresas em 2020. A avaliação do BC é de que o crédito para esse setor não deve continuar na mesma intensidade nesta primeira metade de 2021.

“O crescimento de 31% do crédito bancário às MPMEs no segundo semestre de 2020 foi impulsionado pelos programas governamentais. Esse crescimento semestral de dois dígitos não deve se repetir no primeiro semestre de 2021” — mostra o documento.

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