Economia

Latam gastará R$ 3 bilhões a mais com combustível por guerra no Irã

Empresa anunciou resultados do 1º trimestre, quando teve lucro Ebtida de US$ 1,3 bilhão


Avião da Latam em Puerto Maldonado, na Espanha (John Milner/SOPA Images/LightRocket/Getty Images)

Avião da Latam em Puerto Maldonado, na Espanha (John Milner/SOPA Images/LightRocket/Getty Images)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de internacional e economia

Publicado em 5 de maio de 2026 às 18h26.

Última atualização em 5 de maio de 2026 às 18h51.

A companhia aérea Latam Airlines espera gastar US$ 700 milhões (R$ 3,4 bilhões na cotação atual) a mais com combustível no segundo trimestre deste ano por causa da alta no petróleo gerada pela guerra no Irã, disse a empresa, ao anunciar seus resultados do 1º trimestre de 2026.

"A Latam prevê despesas adicionais com combustível superiores a US$ 700 milhões no segundo trimestre de 2026, considerando um preço do querosene de aviação de US$ 170 por barril", afirmou a empresa, em comunicado divulgado nesta terça-feira, 5.

No primeiro trimestre, houve um impacto adicional para a empresa de US$ 40 bilhões por causa do aumento dos combustíveis.

O querosene de aviação, feito a partir do petróleo, é o principal custo para as empresas aéreas. O preço do combustível subiu após a guerra no Irã, que bloqueou a exportação de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais do produto.

"O impacto nas margens e no fluxo de caixa deverá ser parcialmente compensado por uma série de medidas implementadas desde o início do conflito, incluindo ações de gestão de receita, ajustes de capacidade direcionados, iniciativas adicionais de controle de custos, medidas de liquidez para as finanças e capital de giro, bem como a política de hedge da Latam", prossegue o comunicado.

"Em relação às perspectivas para o segundo trimestre, apesar do impacto significativo do preço do combustível, a Latam prevê uma margem operacional ajustada de um dígito médio a baixo. Todos esses elementos são considerados na nova projeção para 2026."

Voos cancelados

Jerome Cadier, CEO da Latam no Brasil, disse, em conversa com jornalistas, que não há risco de desabastecimento de combustível nas rotas operadas pela Latam e que até agora não houve um movimento para cancelar voos em massa.

"Em junho, teremos uma oferta de 2% a 3% menor, mas ainda não teve nenhum movimento grande. Ainda não fizemos ajustes para o terceiro e quarto trimestre. Vai depender de como o preço do combustível vai evoluir nas próximas semanas", disse o CEO.

Ele explicou que os efeitos da alta de preço demoram a chegar às passagens, por que há estoques de querosene e os contratos são fechados com prazos maiores. Além disso, não vale a pena cancelar voos dos meses seguintes que já estejam com a maioria de seus assentos vendidos.

"Além da estratégia focada no cliente e no atendimento, temos uma companhia bastante eficiente, com um custo baixo de operação. e com um balanço bastante saudável. Isso faz com que a gente possa encarar períodos de desafio com confiança", disse.

Resultados da Latam

No primeiro trimestre do ano, a Latam reportou lucro Ebtida ajustado de US$ 1,3 bilhão e lucro líquido de US$ 576 milhões, com uma margem operacional ajustada de 19,8%.

No período, o grupo aumentou sua capacidade em 10,4% e transportou 22,9 milhões de passageiros, um aumento de 9,1% em comparação com o mesmo período de 2025.

"Esse crescimento foi impulsionado pelo desempenho do segmento internacional e pelo mercado doméstico da Latam Airlines Brasil", diz a empresa.

O grupo alcançou um fator de ocupação de 85,3%. As afiliadas de carga transportaram mais de 250 mil toneladas durante o período, que incluiu a temporada de flores da Colômbia e do Equador para os EUA.

"Em decorrência da volatilidade do mercado e da incerteza atual, a Latam substituiu suas projeções para 2026 (“Guidance”) e atualizou suas premissas para preços de combustível e taxas de câmbio, reportando um CASK (custo por assento-quilômetro disponível) ajustado de passageiro, excluindo combustível, entre 4,50 e 4,70 centavos de dólar, e um Ebtida ajustado entre US$ 3,8 bilhões e US$ 4,2 bilhões", diz a empresa.

A Latam projeta um índice de alavancagem líquida ajustado igual ou inferior a 1,8x e liquidez de pelo menos US$ 4,5 bilhões no ano de 2026. A projeção considera o valor de US$ 170 por barril no terceiro trimestre e de US$ 150 por barril no quarto trimestre.

A empresa também mudou a projeção de câmbio, de R$ 5,50 para R$ 5,15 por dólar.

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