Lagarde diz que mercado pode testar o BCE quanto quiser

Órgão diz que qualquer aceleração da inflação da região no curto prazo será temporária, pois a preocupação com a perda de empregos deve manter a demanda dos consumidores sob controle

A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, disse que as autoridades monetárias não hesitarão em usar todos os seus poderes caso os rendimentos dos títulos aumentem em reação ao movimento dos investidores.

Eles podem nos testar quanto quiserem. Temos circunstâncias excepcionais para lidar no momento e temos ferramentas excepcionais para usar no momento, e uma bateria delas. Vamos usá-las como e quando necessário, a fim de cumprir nosso mandato e cumprir nossa promessa para a economia.

Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu

O BCE acelerou o programa de compra de títulos da pandemia para reagir contra o aumento dos custos de financiamento, que ameaça minar a recuperação da zona do euro. Os rendimentos subiram como parte da aposta de reflação global na esteira da recuperação econômica dos Estados Unidos, enquanto a zona do euro ainda enfrenta restrições relacionadas à covid e lenta campanha de vacinação.

Bancos centrais do bloco compraram, em média, 20 bilhões de euros (23,5 bilhões de dólares) em dívidas semanalmente nas últimas duas semanas para manter as condições de financiamento favoráveis para governos, empresas e famílias. Lagarde não quis dizer se as autoridades chegaram a um acordo sobre esse nível específico de compras, segundo sinalizado pelo membro do conselho do BCE, Vitas Vasiliauskas, em entrevista nesta semana.

“Dada a situação excepcional que enfrentamos, usamos o máximo de flexibilidade” com o programa de 1,85 trilhão de euros, disse Lagarde. “Vamos usar tudo ou não, ou mais, e certamente vamos ajustar conforme necessário.”

Cautela com inflação

O BCE prevê que a economia da zona do euro, com 19 países, crescerá 4% em 2021. Esse ritmo não é suficiente para recuperar a queda de 6,6% do PIB no ano passado, e a região deve retornar ao tamanho pré-pandemia apenas em meados de 2022, um ano depois dos Estados Unidos.

O banco central diz que qualquer aceleração da inflação da região no curto prazo será temporária, pois a preocupação com a perda de empregos deve manter a demanda dos consumidores sob controle no médio prazo.

Números publicados na quarta-feira mostraram que os preços ao consumidor subiram 1,3% em março em relação ao ano anterior, impulsionados por um aumento dos custos de energia. A taxa é inferior à meta do BCE, pouco abaixo de 2%. Um indicador que exclui componentes voláteis, como alimentos e combustíveis, desacelerou para 0,9%, o menor nível em três meses.

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