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Inflação no happy hour: começa a valer aumento no preço da cerveja

Embora o peso da cerveja no total da inflação seja pequeno, os reflexos podem ser sentidos até mesmo no setor de serviços

O aumento geral de preços, que fez com que alimentos como abobrinha e pimentão subissem mais de 70% de janeiro a agosto deste ano, também chegou à cerveja. A partir desta sexta-feira, 1º de outubro, passa a vigorar uma alta nos preços dos produtos da Ambev, dona de marcas como Skol, Brahma, Antarctica, Bohemia e Stella Artois.

Como a empresa é a maior cervejaria do mundo, qualquer alteração mexe em toda a economia. O reajuste, que varia conforme a região e cidade, já foi repassado a lojistas e distribuidores, e agora chega aos consumidores. Nas contas da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), o aumento médio é de 10%.

A cerveja é mais um item a pesar na cesta de alimentos e de bebidas dos brasileiros. De acordo com cálculos feitos pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas  (Fipe), o preço da cerveja subiu 6,29% no acumulado dos últimos 12 meses (de setembro de 2020 a agosto de 2021).

A pedido de EXAME, a Fipe estimou que o impacto no Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do aumento anunciado pela Ambev seria de 0,09 ponto percentual, se o reajuste médio for de 10% em todos estabelecimentos da amostra.

A título de comparação, o impacto inflacionário da cerveja representaria o terceiro maior aumento se os preços fossem captados nas últimas 4 semanas, segundo a Fipe, ficando atrás apenas de dois itens que registraram maiores reajustes: viagens e energia elétrica.

Embora o peso da cerveja no total da inflação seja pequeno, os reflexos podem ser sentidos até mesmo no setor de serviços, como explica André Perfeito, economista-chefe da Necton Investimentos.

“A cerveja representa 0,39% do IPCA [Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo]. É um peso bem discreto. Vale notar que diferente de cerveja de uma fábrica, em que empresários podem soltar um preço mais baixo e estocar, em um bar não é bem assim. Não tem como estocar serviço. Tudo isso impacta nos custos do setor, o que aumenta os preços em geral”, afirma Perfeito.

A Abrasel calcula que 37% dos bares e restaurantes do país estão registrando prejuízos. Em São Paulo, maior cidade do país, essa porcentagem chega a 50%. O principal item que pressiona a conta para ficar no vermelho é a energia elétrica, que subiu mais de 10% somente em 2021, segundo o IPCA.

Ainda de acordo com o economista-chefe da Necton Investimentos, o reajuste dos preços ficou represado por muito tempo, sendo que os custos da indústria aumentaram. “Eles experimentaram altas relevantes nos últimos meses. O diesel [que subiu 28,02% este ano] é custo de produção, a energia elétrica também. Tudo isso é pressão de alta”, diz.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) elevou, na quinta-feira, 30, a expectativa para o IPCA de 2021. Segundo o instituto, a projeção de inflação passou de 5,9% para 8,3%. O Ipea também cortou a perspectiva de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2022, de 2% para 1,8%. Para este ano, a projeção foi mantida em 4,8%. Valor próximo aos cálculos da Necton, que projeta 5% de crescimento do PIB em 2021.

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