• AALR3 R$ 19,60 -1.01
  • AAPL34 R$ 74,36 1.72
  • ABCB4 R$ 16,43 1.36
  • ABEV3 R$ 14,53 0.35
  • AERI3 R$ 3,81 -1.04
  • AESB3 R$ 10,67 -1.11
  • AGRO3 R$ 32,37 2.76
  • ALPA4 R$ 21,90 -0.82
  • ALSO3 R$ 19,62 0.26
  • ALUP11 R$ 26,19 0.42
  • AMAR3 R$ 2,23 3.24
  • AMBP3 R$ 29,72 4.54
  • AMER3 R$ 23,04 1.63
  • AMZO34 R$ 72,52 3.90
  • ANIM3 R$ 5,38 7.60
  • ARZZ3 R$ 82,03 2.08
  • ASAI3 R$ 15,52 1.84
  • AZUL4 R$ 20,75 11.02
  • B3SA3 R$ 11,44 -3.87
  • BBAS3 R$ 35,10 -0.17
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Inflação do aluguel deve ficar 5 vezes maior do que índice de salários

O IGP-M já acumula alta de 13% nos 12 meses encerrados em agosto e a previsão é bater em 15,28% até dezembro, enquanto o INPC deve ficar em 2,45%
 (Getty Images/Juliano703)
(Getty Images/Juliano703)
Por Estadão ConteúdoPublicado em 28/09/2020 10:25 | Última atualização em 28/09/2020 11:41Tempo de Leitura: 3 min de leitura

Indexador usado para corrigir contratos de aluguel de imóveis, o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) deve fechar o ano com variação até cinco vezes maior do que o índice que geralmente é usado como parâmetro para os reajustes de salários. O IGP-M já acumula alta de 13,02% nos 12 meses encerrados em agosto e a previsão é bater em 15,28% até dezembro, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) deve ficar em 2,45%.

Se essas projeções se confirmarem, um contrato de R$ 3 mil com aniversário em janeiro de 2021 poderá chegar a R$ 3.458,40, caso não haja uma renegociação entre locador e locatório.

Calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o IGP-M também bate com folga o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 12 meses, o indicador usado para medir a inflação oficial do País está em 2,44%.

A discrepância está ligada à metodologia de cálculo dos índices. "A primeira grande diferença é que o IGP-M não é um índice 'construído', mas sim a média ponderada de três outros índices", diz o economista André Braz, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor da FGV.

O primeiro componente do IGP-M está ligado aos preços no atacado para produtores, com peso de 60%. Os preços no varejo para os consumidores têm peso de 30% e na construção civil, de 10%. A pressão atual está justamente no atacado - ou na "inflação da porta da fábrica", como dizem os economistas.

Com a pandemia, os preços de várias commodities subiram, em meio à demanda maior vinda de outros países. Apenas em agosto, a soja em grão subiu 7%. "A economia global puxa a demanda por commodities para cima e, por consequência, toda a cadeia de derivados", diz Braz. "A desvalorização cambial (alta do dólar) também tem pesado bastante. Ela foi de 30% nos últimos 12 meses e ganhou mais fôlego durante a pandemia."

Já o IPCA é calculado com base numa ampla base de preços ao consumidor. Se por um lado o preço do arroz ficou mais alto, por outro há queda de custos em serviços como hotelaria e passagens aéreas, por exemplo.

Renegociação

O movimento do IGP-M ocorre em meio à retração do emprego, da renda e do consumo no Brasil, na esteira da pandemia. "Não há como repassar este aumento de 13% para o aluguel. Não há explicação plausível para o aluguel ter uma correção tão alta por um índice que está sendo elevado por fatores não ligados ao mercado", afirma o diretor executivo da Rede Lopes, Matheus de Souza Fabrício.

Segundo ele, inquilinos comerciais e residenciais estão procurando, neste momento, os proprietários dos imóveis para renegociar os valores. "O locador muitas vezes sabe que não pode aumentar o valor da locação agora ou o inquilino sai. E a economia não está tão bem assim. Não é um momento tão bom para se exercer o contrato sob o ponto de vista de correção", diz.

Nas negociações, diz Fabricio, as correções têm ficado entre 2% e 3% - algo mais próximo do IPCA. Essas renegociações, segundo ele, estão ocorrendo principalmente entre os empresários e os proprietários de pontos comerciais, em um cenário de dúvidas sobre o ritmo de recuperação da economia após o isolamento social.