Javier Milei: presidente da Argentina (Patrick T. Fallon/AFP)
Repórter
Publicado em 14 de julho de 2026 às 16h40.
Última atualização em 14 de julho de 2026 às 16h48.
A inflação na Argentina desacelerou, no terceiro mês consecutivo, para 1,9% em junho, após registrar 2,1% em maio, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira, 14, pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec).
Com o resultado, o índice de preços ao consumidor (IPC) acumula alta de 33,5% nos últimos 12 meses e de 16,8% no primeiro semestre de 2026. O dado ficou abaixo da projeção do mercado. Segundo a Pesquisa de Expectativas de Mercado (REM), publicada pelo Banco Central da República Argentina (BCRA) em 6 de julho, analistas esperavam uma inflação de 2,0% no mês.
O desempenho representa uma vitória para o presidente Javier Milei após a disparada de março causada pelo choque energético relacionado ao conflito envolvendo o Irã, segundo informações da Bloomberg.
O outono de Milei: líder argentino tem meses difíceis mas perspectiva de melhoraO ministro da Economia, Luis Caputo, havia afirmado em uma entrevista a uma emissora argentina na semana passada que os analistas esperavam uma desaceleração da inflação para menos de 2% em junho, após as quedas observadas em abril e maio.
Dentro do núcleo da inflação — que ficou em 1,6% —, os maiores aumentos ocorreram em itens sazonais, como hortaliças e turismo, impulsionados pela proximidade das férias de inverno no Hemisfério Sul.
Essa desaceleração na alta mensal dos preços ao consumidor ocorre logo após Milei obter melhorias em sua classificação de risco pelas agências S&P Global Ratings e Fitch Ratings, aproximando a Argentina de recuperar o acesso aos mercados internacionais de capitais.
Entre os grupos com maior pressão sobre os preços, recreação e cultura liderou as altas, com avanço de 4,2%, impulsionado pelo aumento dos pacotes turísticos. Na sequência aparecem habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis, com elevação de 3,3%. Em contrapartida, comunicações (0,9%) e vestuário e calçados (0,4%) registraram as menores variações.
A nova desaceleração representa o terceiro mês seguido de redução da inflação sob o governo do presidente Javier Milei. Desde que assumiu a Casa Rosada, no fim de 2023, o governo adotou uma política de austeridade fiscal e redução de gastos públicos como estratégia para conter a inflação.
Após alcançar 1,5% em maio de 2025, a inflação mensal voltou a acelerar nos meses seguintes, interrompendo a trajetória de queda observada anteriormente e dificultando a continuidade dos resultados obtidos pelo governo no combate à alta dos preços ao longo de 2024.
O resultado de junho também foi divulgado em um contexto de desgaste político para Milei. O presidente enfrentou críticas pela condução do escândalo de corrupção envolvendo Manuel Adorni, seu ex-chefe de gabinete. Adorni é investigado por compras de imóveis e viagens de luxo consideradas incompatíveis com seu salário.