Incêndio em Santos afeta entregas, mas porto tem estoques

Os limites para descarregamento no porto de Santos preocupam porque o Brasil está no início da exportação da safra 2014/15 de soja

São Paulo – Uma medida de controle de tráfego de caminhões por conta do incêndio em tanques de combustíveis no porto de Santos causava congestionamento na Rodovia Anchieta nesta segunda-feira e também afetava a chegada e a saída de mercadorias na margem direita portuária, na cidade santista.

As exportações pelo principal porto do país, que concentra a maior parte dos embarques de soja, suco de laranja, café e açúcar do Brasil (líder nas vendas desses produtos), só não são afetadas porque há estoques portuários para abastecer os navios enquanto os caminhões estão proibidos de acessar o local, segundo autoridades e representantes do setor privado.

“Por enquanto não tem impacto nenhum. Qualquer coisa que aconteça em Santos, preocupa. Mas podemos dizer que o fogo não altera em nada as exportações previstas para abril. Os armazéns estão cheios, e os navios continuam carregando normalmente”, afirmou à Reuters o diretor-geral da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Mendes.

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), que representa a indústria de soja, líder nas exportações brasileiras, afirmou que não houve nenhuma manifestação por parte das empresas associadas, “pois ainda há estoque no porto”.

Comentário da CitrusBR, que representa os exportadores de suco de laranja, também seguiu na mesma linha. “O máximo de dor de cabeça é no trânsito dos caminhões, mas longe de trazer algum tipo de prejuízo”, disse o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto.

Mais cedo, a administração portuária havia dito à Reuters que o porto tem estoques para lidar com a interrupção da chegada de caminhões pela margem direita de Santos, que conta com terminais que exportam desde soja a produtos manufaturados, embarcados em contêineres no porto de Santos.

Na véspera, a agência reguladora de transporte do Estado de São Paulo (Artesp) e a concessionária do Sistema Anchieta Imigrantes (Ecovias) anunciaram que caminhões com destino à margem direita do porto (situada em Santos) não poderão seguir viagem ao litoral, para evitar acúmulo de veículos pesados nas proximidades, uma vez que há limites para o tráfego em função do incêndio, que entrou em seu quinto dia.

Apenas caminhões com carga destinada a exportação pela margem esquerda (situada no Guarujá) estão liberados.

Os limites para descarregamento no porto de Santos preocupam porque o Brasil está no início da exportação da safra 2014/15 de soja. Mas problemas seriam registrados apenas se o fogo nos tanques de combustíveis perdurarem por mais tempo, algo que não se espera que aconteça.

“Se uma coisa dessas se prolongar, começa a ter dificuldade de abastecer os navios de grãos, mas é uma coisa muito prematura de se pensar”, disse Mendes, da Anec.

O fogo limitava nesta segunda-feira somente a atracação de navios no Terminal para Granéis Líquidos da Alemoa, segundo a administração portuária.

Os demais 53 terminais do porto operavam normalmente, segundo o porto, pois o trecho interditado (com cerca de dois quilômetros), fica no final do canal de navegação. Cinco navios aguardavam no domingo para atracar no terminal de granéis líquidos da Alemoa.

Congestionamento 

A operação de controle de tráfego de caminhões, que entrou em vigor à meia noite desta segunda-feira e continuará até que o incêndio seja totalmente controlado, acabou resultando em congestionamento no trecho de Planalto da Anchieta.

O congestionamento na Anchieta, entre os km 36 ao 39, ocorre devido à triagem de caminhões efetuada pelo policiamento rodoviário, para evitar que veículos com chegada prevista para a margem direita sigam ao porto.

Os caminhões com acesso proibido pela margem direita serão encaminhados para bolsão de estacionamento e deverão aguardar liberação do acesso ao porto através do Viaduto Alemoa.

“A expectativa é que na terça-feira o viaduto do Alemoa possa ser liberado e o trânsito restabelecido”, disse o diretor-geral da Artesp, Giovanni Pengue Filho, em nota.

O porto de Santos informou que a avenida Augusto Barata (conhecida como Reta da Alemoa), via de acesso ao porto em sua margem direita (Santos), foi interditada às 10h da última quinta-feira e permanecia assim, por questões de segurança.

Incêndio 

Dois tanques ainda estavam em chamas na manhã desta segunda-feira em parte do terminal da Ultracargo, do grupo Ultra, segundo informações da empresa, após um tanque que continha etanol ter as chamas extintas.

Seis tanques da empresa foram atingidos pelo incêndio.

“O incêndio foi reduzido após a chegada de novos equipamentos e materiais desde a noite de sábado, cedidos por empresas parceiras, entre elas a Petrobras, e participantes do Plano de Auxílio Mútuo”, disse a Ultrapar, que possui um total de 175 tanques no terminal portuário em Santos.

Os seis tanques atingidos possuem capacidade de 5 e 6 mil metros cúbicos, totalizando 34 mil metros cúbicos de capacidade, equivalentes a 4 por cento da capacidade total instalada da Ultracargo, segundo a companhia, que disse em nota nesta segunda-feira ter seguro para cobrir riscos aos quais está exposta.

Segundo a última informação do Corpo de Bombeiros, os trabalhos buscavam resfriar os tanques próximos para impedir o alastramento do fogo, já que afirmam não haver muito a fazer antes que todo o combustível seja consumido pelas chamas.

A Transpetro, braço de transportes da Petrobras, reafirmou em nota o que havia dito na última quinta-feira, de que não há risco para as suas instalações do Terminal Aquaviário de Santos.

A Transpetro afirmou, no entanto, que as operações do terminal foram temporariamente suspensas de forma preventiva e os funcionários da área administrativa foram dispensados, seguindo orientação dos bombeiros.

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