Desemprego: novos dados do IBGE não devem mostrar melhora

Ao fim de fevereiro, a taxa de desemprego foi de 14,4% e o desalento na ocasião atingia cerca de 6 milhões de pessoas
De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), nos primeiros quatro meses do ano foram abertas 987 mil vagas de trabalho formal (Marcos Santos/Agência USP)
De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), nos primeiros quatro meses do ano foram abertas 987 mil vagas de trabalho formal (Marcos Santos/Agência USP)
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Roberta Vassallo

Publicado em 27/05/2021 às 06:00.

Última atualização em 27/05/2021 às 09:38.

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Nesta quinta-feira, 27, será divulgada a taxa de desemprego do Brasil em março pelo IBGE. Após o resultado negativo de fevereiro, quando o país registrou recorde de pessoas na situação da série histórica iniciada em 2012, com 14,4 milhões de desempregados, e com o aumento das restrições de funcionamento de estabelecimentos em março, a expectativa é de que o dado do mês não apresente melhora significativa.

Ao fim de fevereiro, a taxa de desemprego ficou em 14,4% da população e a quantidade de desalentados na ocasião foi de cerca de 6 milhões de pessoas. Segundo o economista da Exame Invest PRO Arthur Mota, uma possível piora do desemprego em março deve refletir mais o setor informal, que tem sofrido impacto maior em momentos de recrudescimento da pandemia.

No setor formal, a notícia continua sendo positiva. De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado pelo Ministério da Economia na quarta-feira, 26, em abril foram abertas 120.935 vagas formais de trabalho. Nos primeiros quatro meses do ano, foram abertas 987 mil vagas de trabalho formal.

Mesmo com a expectativa de retomada econômica no Brasil a partir do segundo semestre, no entanto, o desafio do emprego no país não deve dar trégua até o fim de 2022, avaliou o economista-chefe do BTG Pactual (do mesmo grupo que controla a EXAME), Mansueto Almeida, durante o evento CEO Conference Brasil 2021 na quarta.

Para o ex-secretário do Tesouro, a taxa de desemprego deve se manter com dois dígitos até o fim do ano que vem. "Possivelmente teremos uma recuperação da economia e crescimento do emprego formal, mas a taxa de desemprego vai continuar alta", avalia.

Segundo ele, um dos fatores que agravam o problema do mercado de trabalho é o fato de grande parte dos empregos do país depender do setor de serviços, o mais afetado enquanto ainda há risco de novas ondas de contaminação e não há reabertura consistente da economia.

"Mais de 60% do PIB do Brasil está ligado ao setor de serviços, que é de fato o setor que emprega. Então possivelmente teremos uma recuperação da economia e crescimento do emprego formal, mas a taxa de desemprego vai continuar alta", disse.

O economista crava como desafio econômico do país neste ano, em 2022 e no ano seguinte a geração de emprego para as cerca de 8 milhões de pessoas que saíram do mercado de trabalho desde fevereiro do ano passado. "Além de gerar novos postos para as cerca de 1,5 milhão de pessoas que tradicionalmente todos os anos entram no mercado", ressalta.

Para o economista da FGV Daniel Duque, um percalço adicional que o Brasil deverá enfrentar para retomar o emprego é o fato de que uma parte da população que compõe as taxas de desemprego e de desalentados está fora da força de trabalho há muito tempo. O país tem um índice de desocupação acima de 10% desde 2016, que foi agravado com a pandemia.

"Quanto mais tempo se fica fora do mercado de trabalho, mais difícil é para ser contratado, então muita gente acaba desistindo nesse tempo. Tenho algum receio de que a gente não tenha uma volta completa com a taxa de participação que havia antes", afirma.

Para o curto prazo, o pesquisador ponta para o risco de uma terceira onda de contaminações no Brasil como agravante para o emprego pela incerteza gerada à atividade econômica e aos serviços.

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