Guerra na Ucrânia: como é a relação comercial entre Brasil e Rússia

A Rússia é o sexto país de quem o Brasil mais compra produtos: foram US$ 5,7 bilhões em importações em 2021
Brasil depende da Rússia no mercado de fertilizantes. (REUTERS/Pascal Rossignol/Reuters)
Brasil depende da Rússia no mercado de fertilizantes. (REUTERS/Pascal Rossignol/Reuters)
Por Gilson Garrett JrPublicado em 25/02/2022 13:45 | Última atualização em 25/02/2022 13:50Tempo de Leitura: 3 min de leitura

A invasão russa ao território ucraniano mexe não só com as forças políticas mas também comerciais e econômicas, com consequências para o Brasil. A Rússia é o sexto país de quem o Brasil mais compra produtos: foram US$ 5,7 bilhões em importações em 2021, segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Na outra ponta, foram só US$ 1,6 bilhão exportados pelo Brasil para os russos, sobretudo em produtos agropecuários, liderados por soja e carnes.

Analistas do setor agro têm falado em cautela sobre os impactos que a guerra entre Rússia e Ucrânia podem gerar por aqui. O principal ponto de atenção está no grupo de adubos e fertilizantes químicos, que responde por mais de 60% de tudo o que o Brasil importa da Rússia. O país europeu é o principal fornecedor destes insumos a todo o planeta.

Foi justamente para estreitar essas relações comerciais na área de fertilizantes que o presidente Jair Bolsonaro (PL) esteve em Moscou, na semana passada, em uma visita oficial ao país presidido por Vladimir Putin. Após o encontro entre os dois líderes, Bolsonaro disse que a oferta russa do produto será dobrada. Também foi firmado um compromisso de uma empresa da Rússia para reativar uma fábrica de fertilizantes em Mato Grosso do Sul.

“O Brasil é bastante dependente da Rússia no caso dos fertilizantes. É o nosso principal parceiro comercial, com 23% das importações. Mas não só o Brasil, todo o mundo depende da Rússia para a compra de fertilizantes”, detalha Bruno Fonseca, analista setorial para o mercado de insumos do Rabobank Brasil, especializado em mercado do agronegócio.

Bruno Fonseca ainda explica que as consequências do conflito armado na Europa não serão sentidas de imediato na economia brasileira, mas há uma necessidade de olhar as sanções impostas pelo ocidente, que podem refletir no Brasil. “Estamos muito no calor do momento. É preciso paciência e esperar por quanto tempo a situação vai perdurar. Os preços de fertilizantes já vinham subindo e esta trajetória deve continuar”, afirma.

São basicamente três tipos de fertilizantes que o Brasil importa da Rússia: fosfato monoamônico (conhecido pela sigla MAP), potássio e ureia. “50% do MAP importado pelo Brasil vêm da Rússia, potássio é 30%, e ureia soma 20%. É uma relação de dependência muito delicada”, avalia Thais Carvalho Italiani, Head de inteligência de mercado da consultoria HedgePoint Global Markets

Como há uma necessidade muito grande dos fertilizantes russos, qualquer aumento de preços impacta também na produção de grãos. Além disso, pode mudar a geografia comercial em alguns setores, de trigo e milho, como explica Pedro Schicchi, analista de grãos e sementes oleaginosas da consultoria HedgePoint Global Markets.

“Rússia e Ucrânia colocam juntas quase 60 milhões de toneladas de trigo em exportações no mundo. Só a Ucrânia é o quarto maior exportador de milho do mundo. Se tem problemas entre os dois países, impacta o restante da Europa, com a necessidade de buscar o grão em outro país, mudando oferta e demanda global”, diz.