Geadas impactam preço dos alimentos: batata e alface sobem mais de 10%

Chegada de frentes frias já provocaram estrago nas lavouras neste mês; nova massa de ar polar deve trazer neve e chuva essa semana

As geadas e ondas de frio que atingiram o país em julho, consideradas as mais intensas dos últimos cinco anos, devem bater no bolso dos consumidores. Com áreas de cultivo agrícola diretamente afetadas por massas de ar polar, os preços de alguns alimentos vêm subindo. É o caso das hortaliças e da batata em São Paulo, remarcadas em mais de 10% apenas na semana passada, segundo dados da Confederação Nacional de Agricultura (CNA). Novas altas podem acontecer caso as geadas previstas para os próximos dias provoquem estragos significativos na lavoura.

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A previsão é que o Sul, Sudeste e Centro-Oeste sejam afetados. Estados que já foram vítima de geadas nas últimas semanas, como o Paraná e Santa Catarina, devem enfrentar novamente a forte onda de frio. Também estão na lista o Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Mato Grosso Sul, grandes produtores de grãos e café.

As condições climáticas adversas devem prejudicar mais intensamente as lavouras de milho do Paraná, onde apenas 3% da safra foi colhida. O cereal passa por uma má fase esse ano, tendo sofrido primeiro com a seca e, agora, com as geadas. 

Já é dada praticamente como certa uma quebra da safra de milho neste ano. O alimento é um importante componente da ração animal. Grandes empresas do setor de carnes, como a JBS, vêm recorrendo à importação -- a companhia adquiriu um grande carregamento da Argentina nas últimas semanas. Até o momento, não houve impacto negativo nos custos, já que o cereal argentino está mais em conta do que o nacional. Isso não quer dizer, no entanto, que aumentos de preço das carnes estejam descartados.

A maior incógnita é a extensão da quebra de safra do milho no Brasil, o quanto isso poderá afetar os preços dos insumos e o provável aumento das exportações de carnes, diminuindo a oferta no mercado doméstico. Os maiores frigoríficos vêm direcionando a venda de carnes para o exterior, com o mercado aquecido na China. "Com a quebra de safra do milho no Brasil e uma demanda forte na Ásia, a tendência é que os preços no Brasil continuem no patamar atual ou tenham algum aumento", diz o economista André Braz, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Getúlio Vargas.

No acumulado dos últimos meses, a carne bovina registra alta de 35%, acompanhada pelos suínos (26%) e frango (18%). Só neste ano, o comsumidor passou a pagar quase 3% a mais para comprar carne vermelha.

As previsões para a inflação do ano vêm aumentando. Economistas e analistas financeiros ouvidos pelo boletim Focus, do Banco Central, elevaram para 6,5% a expectativa de aumento de preços para 2021. O documento, divulgado nesta segunda, 26, aponta que a 16ª alta seguida da estimativa do mercado para a inflação.

Uma pesquisa inédita EXAME/IDEIA realizada em julho mediu a percepção dos brasileiros em relação à alta de preços. Para 86%, alimentos e bebidas foram os que mais subiram de preço. Para equilibrar o orçamento, 63% mudaram hábitos alimentares. Mais da metade (52%) acredita que a inflação não vai dar trégua e as remarcações vão continuar até o final do ano. 

 

 

 

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