Gasto fiscal além do necessário pode prejudicar os mais pobres, diz presidente do Banco Central

Em evento em São Paulo, Roberto Campos Neto afirma que país está em ponto de inflexão e precisa mostrar equilíbrio nas contas
 (Patricia Monteiro/Getty Images)
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Agência O GloboPublicado em 23/11/2022 às 16:48.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse nesta quarta-feira que o Brasil está num ponto de inflexão e que fazer mais do que o necessário na área fiscal pode ter efeito contrário, com menos emprego e mais inflação, prejudicando os mais pobres. Campos Neto participou de um evento com investidores da gestora BlackRock Brasil, em São Paulo.

Ele defendeu a necessidade de um equacionamento entre as necessidades sociais das pessoas mais afetadas pela pandemia de Covid-19 e o equilíbrio fiscal, além de transparência na comunicação do que será o novo arcabouço fiscal.

— Não explicar bem o programa de gastos que será implementado no país gera incerteza e acaba diminuindo a capacidade do governo de realizar despesas — observou ele, lembrando que todos os dias há notícias novas sobre a PEC da Transição.

Campos Neto não quis comentar como as mudanças nas regras fiscais do país podem impactar a taxa de juros. Afirmou que não se pode trabalhar com especulações e é preciso esperar e acompanhar para ver o que vai sair desse redesenho.

—Os dois candidatos fizeram promessas mais difíceis de encaixar no Orçamento e se sabia que seria preciso um redesenho dos gastos. Sabemos que a eliminação de subsídios é de difícil implementação no curto prazo. Temos um mundo bastante endividado e o Brasil precisa mostrar equilíbrio nas contas — disse Campos Neto, defendendo também que o país tenha menos crédito subsidiado e mais crédito livre.

O presidente do BC observou, entretanto, que todo arcabouço fiscal tem um limite, citando o caso da Inglaterra, em que investidores reagiram mal à proposta de corte de impostos da ex-primeira ministra Liz Truss, o que aumentaria o risco fiscal do país.

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— Há uma preocupação de como vamos pagar a conta fiscal da pandemia e alguns países ainda estão expandindo esses gastos - declarou.

Ele disse que agora o grande questionamento não será em relação a inflação, mas sim ao crescimento mais baixo da economia.

— Vamos ver como isso vai se dar daqui para frente. 2023 será um ano de desaceleração no ritmo de crescimento. O mundo inteiro está sofrendo — afirmou.

Questionado sobre a internacionalização do PIX, Campos Neto disse que essa transação vai melhorar os custos de importação e exportação e também da parte regulatória, além de reduzir a burocracia. Mas que o processo ainda está longe do ideal.

— Quando fazemos uma coisa, descobrimos que precisa de outras. É como uma grama alta, sempre precisamos estar cuidando. Ainda estamos longe do ideal, apesar de todas as mudanças que já fizemos — afirmou ele, lembrando que alguns bancos já estão oferecendo essa operação.

Campos Neto afirmou que mais do que transformar o real numa uma moeda conversível, o PIX internacional vai se transformar num instrumento menos burocrático de transação.

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