FMI melhora projeção para o PIB, mas ainda projeta pior crise desde 1929

"Embora o colapso estimado para 2020 seja menos extremo do que o que projetamos em outubro, essa crise ainda é a pior contração em tempos de paz desde a Grande Depressão", diz o FMI

A pandemia reduzirá em 22 trilhões de dólares o produto interno bruto (PIB) global entre 2020 e 2025, segundo divulgou o Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta terça-feira, 26.

Esta "perda acumulada" é feita na comparação aos níveis do PIB projetados antes da crise da covid-19, segundo disse Gita Gopinath, economista-chefe do FMI.

Na nova edição de seu tradicional relatório World Economic Outlook, o FMI estimou que em 2021 a economia global crescerá 5,5%, o que representa uma melhora de 0,3 ponto percentual em relação aos cálculos da última edição do relatório, em outubro.

"Embora o colapso estimado para 2020 seja menos extremo do que o que projetamos em outubro, essa crise ainda é a pior contração em tempos de paz desde a Grande Depressão", disse Gopinath.

Os economistas do FMI também projetaram que a contração da economia global em 2020 tenha ficado em 3,5%. Apesar de ainda em recessão, o número ficou longe das previsões mais sombrias feitas em junho, que apontavam uma queda do PIB de 4,9% do PIB global -- e que chegavam a até 8% no grupo das economias desenvolvidas.

A China foi a única potência global a crescer em meio à pandemia da covid-19 em 2020, diante de números fracos e recessão nos Estados Unidos e na Europa.  O produto interno bruto (PIB) chinês subiu 2,3% no ano, acima do esperado pelos economistas. O crescimento chinês deve ser um dos motores da recuperação econômica global, como mostram os números do FMI. Em parte devido ao choque da covid-19, estimativas já projetam que a China possa passar os EUA como maior economia do mundo ainda nesta década.

Para 2022, o FMI manteve seus cálculos de que a economia global crescerá 4,2%, mas a entidade alertou que esta previsão está marcada por uma "incerteza excepcional."

A vacina já existe, mas não para todos

Ao debater os números para a economia global a partir deste ano, o FMI ressalta no relatório que haverá um crescimento desigual entre países e, internamente, entre diferentes grupos sociais.

"Ações de política pública devem garantir apoio econômico efetivo até que a retomada esteja caminhando de forma firme", aponta o FMI, mas afirmando que os governos devem garantir "crescimento que beneficie a todos" e afirmando que a pandemia impôs efeitos mais adversos "nos mais pobres, os empregados informais e aqueles que trabalham em setores intensivamente sob contratos".

Entre os desafios para o crescimento global nos próximos anos está o avanço lento da vacinação -- mesmo nos países desenvolvidos e sobretudo nos países mais pobres. Outra dúvida é sobre como ficarão as economias após o fim de grandes pacotes de estímulo que marcaram 2020, ainda que economias mais desenvolvidas, como EUA e Europa, devam continuar operando com estímulos em 2021.

A entidade afirma ainda no comunicado que "uma cooperação multilateral forte é necessária para que a pandemia fique sob controle em todos os lugares", citando iniciativas globais de vacinação, como a Covax, da Organização Mundial da Saúde (OMS). As baixas taxas de vacinação e acesso aos imunizantes nos países mais pobres já fizeram a OMS falar neste mês em "catástrofe moral" no acesso a vacinas.

Ainda sobre os impactos desiguais da crise, o fundo afirmou que países de renda baixa adentraram a crise com dívida alta e que "deve crescer ainda mais durante a pandemia". Para tanto, o FMI aponta que é preciso que a comunidade global trabalhe para "garantir acesso adequado à liquidez internacional para estes países."

Projeções para o Brasil

As projeções do FMI para o Brasil melhoraram gradativamente ao longo do ano passado. Desta vez, a estimativa é de queda de 4,5% do PIB brasileiro em 2020, crescimento de 3,6% em 2021 e de 2,6% em 2022.

Pela primeira vez desde o começo da crise, os números estão mais em linha com as projeções dos economistas do Boletim Focus ouvidos pelo Banco Central, que terminaram 2020 prevendo queda na casa dos 4,4% para a economia brasileira. Para 2021, a última edição do Focus nesta segunda-feira, 25, prevê crescimento de 3,5%, em linha com a projeção do FMI.

Até então, em seu último relatório em outubro, o FMI projetava queda de 5,8% para o Brasil -- e chegou a estimar que a economia brasileira encolheria 9,1% em projeção anterior, em junho. Mais tarde, em relatório específico sobre o Brasil, a entidade afirmou que o desempenho da economia brasileira ficou melhor do que o esperado em meio a ações do Banco Central e o auxílio emergencial.

Ainda assim, para o futuro, o FMI apontou que um dos desafios brasileiros será lidar com o desemprego em alta, o balanço entre estímulos fiscais e a contenção de gastos públicos e a perda de empregos em setores que exigem baixa qualificação, que podem deixar leva crescente de brasileiros fora do mercado de trabalho -- movimento acelerado pela pandemia.

(Com AFP)

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