Fazenda: crédito cresce sem a criação de bolhas

Relatório relativo ao primeiro bimestre de 2011 destaca que é um crescimento da oferta de crédito com sustentabilidade

Brasília – O boletim “Economia Brasileira em Perspectiva” do Ministério da Fazenda, relativo ao primeiro bimestre, destacou que há uma “expansão do crédito (no País) com sustentabilidade no médio e longo prazos, sem a criação de bolhas”, mesmo com o crescimento do endividamento e do comprometimento da renda. Segundo o documento, o endividamento das famílias brasileiras aumentou cerca de 14 pontos porcentuais entre o final de 2006 e o final de 2010. O brasileiro também comprometia 21,5% de sua renda no final do ano passado, ante 18,6% em 2006.

Por outro lado, segundo o ministério, as taxas de inadimplência diminuíram ao longo dos últimos dois anos como resultado do aquecimento da economia, redução das taxas de desemprego e aumento da renda. “A expansão do crédito mais concentrada em modalidades de menor risco e com exigência de garantias também contribuiu para a diminuição dos níveis de default no segmento de pessoa física”, afirmou o boletim. O ministério avaliou que o aumento dos níveis de inadimplência observados no segmento corporativo logo após a crise de 2008 está estável.

Dentre as operações de crédito para o consumidor, o boletim destacou o aumento do crédito consignado, cujo saldo, em dezembro de 2010, foi 28,2% superior a dezembro de 2009. O Ministério da Fazenda, no entanto, espera que as elevações da taxa Selic, o aumento dos depósitos compulsórios e a adoção de outras medidas macroprudenciais proporcionem queda no ritmo de crescimento do crédito ao consumidor em 2011.

O boletim mostra, também, a evolução da concessão de créditos por segmentos. Em fevereiro de 2011, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o desembolso de crédito dos bancos privados nacionais cresceu 21,65% e, dos estrangeiros, 15,96%. Já os bancos públicos obtiveram crescimento de 22,62% na mesma base de comparação.

A participação do BNDES no crédito total do sistema permanece dentro dos patamares históricos e ficou em 20,9% em fevereiro de 2011. A média dos últimos cinco anos foi de 18,8%.

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