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6 entrevistas com os coordenadores econômicos dos candidatos a presidente

EXAME entrevistou Andre Lara Resende, Gustavo Franco, Persio Arida, Marco Antonio Rocha, Marcio Pochmann e José Márcio Camargo

São Paulo - Nas semanas que se antecederam às eleições, EXAME publicou entrevistas com os coordenadores econômicos das campanhas dos principais candidatos à Presidência.

Eles foram perguntados sobre as reformas do governo Temer, como o teto de gastos e a reforma trabalhista, a agenda para o futuro, em temas como reforma da Previdência, privatizações e abertura comercial, e pontos mais controversos ou menos claros da plataforma de seus candidatos.

Uma série de contatos foi feita com a assessoria de Mauro Benevides Filho, coordenador econômico da campanha de Ciro Gomes, mas houve conflitos de agenda.

Mauro participou do EXAME Fórum em setembro e parte das suas ideias e propostas sobre os temas podem ser conferidas na nossa cobertura do evento.

Já Paulo Guedes, coordenador econômico de Jair Bolsonaro (PSL), também foi procurado por nossa reportagem, mas não respondeu aos pedidos.

Apontado pelo próprio Bolsonaro como seu "Posto Ipiranga" e possível superministro, Guedes se retirou do debate público recentemente.

Ele protagonizou controvérsias públicas com a campanha mas segue atuando nos bastidores e no banco carioca Bozano, onde é sócio

Veja todas as entrevistas na ordem de publicação:

André Lara Resende, colaborador econômico de Marina Silva (Rede), em 03/08:

"Há duas distorções: uma é que a Previdência é desigual, com categorias privilegiadas que se aposentam com salário integral, algo que não existe em nenhum lugar do mundo. Há um consenso de que estes excessos devem ser revistos.

Mas não seria suficiente, porque o problema de fundo é nosso sistema de repartição simples. Ele é muito superavitário quando a população está jovem e crescente, porque tem mais gente contribuindo do que aposentada, mas se torna um problema com a mudança demográfica – que aconteceu em todos os países desenvolvidos, mas aqui de forma mais rápida.

Idealmente, deveríamos transitar para um sistema misto, mantendo repartição para uma renda básica e acima disso um sistema de capitalização. Mas essa transição agrava o problema no curto prazo, e se puder ser feita terá que ser muito longa."

Gustavo Franco, coordenador econômico de João Amoêdo (Partido Novo), em 09/08:

"A ideia de uma economia horizontal, com direitos iguais e igualdade radical diante das regras do jogo, parece coisa de gringo. No Brasil a gente se reconhece pelo primeiro nome, “somos todos amigos“, até o governo e o setor privado são amigos.

Errado! Porque essas relações pessoais conduzem ao corporativismo, à corrupção, ao nepotismo e a todo tipo de distorção do que é um verdadeiro capitalismo e uma economia de mercado democrática."

Marco Antonio Rocha, coordenador econômico de Guilherme Boulos (PSOL), em 16/08:

"Não tem como [a dívida pública] continuar consumindo tantos recursos, é totalmente fora do padrão de economias industrializadas. Isso pode ser feito via regulamentações do mercado financeiro para tornar as variáveis macroeconômicas menos voláteis. (...)

É regular o mercado de câmbio, principalmente o futuro, que tem uma capacidade de determinar o mercado a prazo que é anômala e torna o Real uma das moedas mais voláteis do mundo.

Tem que parar de remunerar os mecanismos de recuperação de liquidez e operações compromissadas e controlar os  mecanismos pelos quais o governo assume o risco do setor privado. Não tem muito da onde tirar, são essas três possibilidades para controlar as contas e dinamizar a economia."

José Márcio Camargo, coordenador econômico de Henrique Meirelles (MDB), em 17/08:

"Todo mundo fala que é contra o teto, ou tem que tirar investimento, ou resolver a educação. Mas todo mundo quer fazer ajuste fiscal, ou seja: é a favor do teto desde que tenha uma goteira pra colocar seu interesse ali. Mas na primeira chuva que der vai inundar a casa.

Mesma coisa na reforma trabalhista: eu quero ver quem vai mexer se não for em pequenos detalhes. O grosso ninguém vai porque está funcionando: o mercado de trabalho está muito mais flexível e as novas formas de contrato estão sendo muito efetivas."

Marcio Pochmann, coordenador econômico de (na época) Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 23/08:

"Nós pegamos um governo quebrado, com inflação acima de 10%, desordem nas contas públicas e endividamento elevado. Mesmo no último momento da presidenta Dilma, a dívida líquida sobre PIB era menor do que a que pegamos em 2002.

Há um aprendizado de que o enfrentamento do problema fiscal requer crescimento econômico. O período em que tivemos melhores resultados fiscais foi o período em que o Brasil mais cresceu.

Talvez este seja um ponto diferenciador das demais candidaturas, que colocam primeiro o fiscal para depois crescer; nós partimos do inverso. E para crescer é adotar esse plano emergencial."

Pérsio Arida, coordenador econômico de Geraldo Alckmin (PSDB), em 21/09:

"Eu sou muito otimista. Abstraindo o setor externo, com um governo comprometido com a meta fiscal e com reformas e capaz de articular sua aprovação no Congresso, o efeito confiança é poderoso.

O investimento público é hoje 1,7% do PIB e não será muito maior, porque é fundamental transformar o déficit de -2% do PIB em algo como 2% no final de mandato. Em outras palavras: investimento público direto não tem e não terá. Mas com segurança jurídica e bom marco regulatório, boas agências reguladoras e bom planejamento de infraestrutura, temos capacidade extraordinária de atrair capitais."

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