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Em carta pública, economistas denunciam paraísos fiscais

Paraísos fiscais não servem a nenhum propósito econômico útil, diz carta da Oxfam assinada por gente como Piketty e Angus Deaton, último vencedor do Nobel

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Esconderijos de dinheiro além-mar (Thinckstock)

Esconderijos de dinheiro além-mar (Thinckstock)

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João Pedro Caleiro

Publicado em 9 de maio de 2016, 12h26.

São Paulo - Em uma carta pública divulgada hoje, mais de 300 economistas de 30 países declaram que os paraísos fiscais "não servem a nenhum propósito econômico útil".

Eles apontam que o sigilo dos beneficiários de empresas offshore alimenta a corrupção e que indivíduos ricos e empresas multinacionais são favorecidos às custas de todos os outros, especialmente os países pobres, alimentando a desigualdade.

Entre os signatários estão o francês Thomas Piketty, autor de "O Capital no Século XXI", Angus Deaton, último vencedor do Prêmio Nobel de Economia, e Olivier Blanchard, ex-economista chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Também aparecem Dani Rodrik, que fez carreira em Harvard e hoje está em Princeton, Blanko Milanovic, ex-economista chefe de Pesquisa no Banco Mundial, e Mariana Mazzucato, especialista em inovação da Universidade de Sussex.

“Os paraísos fiscais são uma escolha deliberada dos maiores governos, especialmente do Reino Unido e dos Estados Unidos, em parceria com as grandes instituições financeiras, legais e de contabilidade que movem esse dinheiro", diz o economista americano Jeffrey Sachs, do Earth Institute da Universidade de Columbia e também signatário.

A carta foi organizada pela ONG britânica Oxfam e tem como alvo uma conferência que o governo promove em Londres nesta quinta-feira com oficiais de dezenas de países, além do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, sobre o tema.

O recente vazamento dos Panama Papers pelo Consórcio International de Jornalistas Investigativos (ICIJ) mostrou esquemas de ocultação de patrimônio pela criação e gerenciamento de milhares de empresas offshore feitos pela empresa Mossack Fonseca entre 1970 e 2016.

David Cameron, primeiro-ministro britânico do Partido Conservador, sofreu constrangimento ao aparecer no vazamento como beneficiário de uma empresa criada por seu pai nos anos 80 e vendida em 2010, antes do seu mandato.

Ele pode evocar poderes especiais que poderiam reprimir o sigilo financeiro nos territórios britânicos. A Oxfam pede que seu governo coordene uma campanha global para acabar com esse tipo de prática.

"Por que sequer permitimos a uma indústria financeira existir nas Ilhas Virgens Britânicas ou no Panamá se existe tanta evidência de que isso está sendo usado para facilitar crimes?", pergunta Gabriel Zucman, autor de um livro referência sobre o assunto e também signatário da carta, em entrevista para EXAME.com.

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