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Economia da zona do euro desacelerou no 3º trimestre e atingiu inflação recorde em outubro

O Eurostat destacou que este crescimento de apenas 0,2% vale também para o bloco geral da União Europeia, ou seja, incluindo os países que não adotam o euro como moeda comum

Essa é uma desaceleração considerável na comparação com o resultado do segundo trimestre (Getty Images/Getty Images)

Essa é uma desaceleração considerável na comparação com o resultado do segundo trimestre (Getty Images/Getty Images)

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AFP

Publicado em 31 de outubro de 2022, 11h42.

Última atualização em 31 de outubro de 2022, 11h52.

A economia da zona do euro — o grupo das 19 economias europeias que compartilham a moeda comum — encerrou o terceiro trimestre do ano em desaceleração e registrou inflação recorde em outubro.

De acordo com a agência europeia de estatísticas Eurostat, o produto interno bruto (PIB) da Eurozona registrou crescimento de apenas 0,2% no terceiro trimestre, uma desaceleração considerável na comparação com o resultado do segundo trimestre, de expansão de 0,8%, após um desempenho morno de 0,6% no primeiro trimestre.

O Eurostat destacou que este crescimento de apenas 0,2% vale também para o bloco geral da União Europeia, ou seja, incluindo os países que não adotam o euro como moeda comum.

No trimestre anterior, a economia geral da UE cresceu 0,7%, de acordo com o Eurostat.

A Eurostat informou ainda que a inflação na zona do euro não dá trégua e fechou o mês de outubro em 10,7%, um novo recorde.

Em setembro, o índice de inflação medido pela Eurostat foi de 9,9% (inicialmente estimado em 10,0%).

Das principais economias da zona euro, a Alemanha registou uma inflação elevada de 11,5% interanual, enquanto a Espanha registrou 7,3%.

A França registrou a menor inflação da zona do euro em outubro, com 7,1%, embora os países bálticos estejam no outro extremo: a Letônia teve 21,8%, a Lituânia 22,0% e a Estônia teve a maior taxa do bloco, 22,4%.

Inflação descontrolada

O Eurostat salientou que, como acontece há vários meses, a inflação desencadeada é impulsionada pelos fortes aumentos dos preços da energia, que em outubro atingiram 41,9%, ante 40,7% em setembro.

Todos os outros componentes da inflação também aumentaram.

O segmento de alimentos (que inclui também álcool e tabaco) cresceu 13,1%, ante 11,8% em setembro; os bens industriais sem uso de energia aumentaram 6,0%, ante 5,5% um mês antes, e os serviços 4,4%, ante 4,3% em setembro.

O Banco Central Europeu (BCE), que no início do ano trabalhava com uma expectativa de inflação "próxima, mas inferior" a 2% em 2022, sofreu forte pressão devido ao aumento descontrolado dos preços.

Na semana passada, o BCE aumentou as suas taxas de juro em 0,75 ponto percentual, passando assim de 1,5% para 2,25%, e deixou em aberto a possibilidade de novos aumentos.

Assim, o bloco europeu enfrenta uma mistura explosiva de crescimento muito baixo e inflação alta, combinação agravada por uma grave crise energética e a continuação da guerra na Ucrânia, que tem efeitos em todo o continente.

Para os economistas da consultoria Oxford Economics, uma recessão na região é inevitável.

"Com tantos dados em território negativo, trata-se de saber quão profunda será a recessão", afirmaram.

Para os especialistas, o fraco resultado do terceiro trimestre foi um pouco melhor do que o esperado, mas "uma recessão para o inverno [boreal] é iminente".

A gravidade do panorama, observaram analistas da Oxford Economics, também se estende aos esforços para controlar a inflação.

"As divergências nas taxas de inflação nos países da zona do euro estão se intensificando, e isso torna as coisas mais sérias em termos de política monetária", destacaram.

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