Economia

Economia brasileira estaria 27% maior se tivesse seguido ritmo de 2014

Cálculos da MB Associados mostram que investimentos poderiam ter chegado a 52% do PIB potencial, tornando-se o maior dos setores

Homem usando máscara protetora puxa carrinho pelos trilhos de trem na Favela do Moinho, em São Paulo, Brasil, na quinta-feira, 25 de junho de 2020. (Marcelo Rochas/Bloomberg)

Homem usando máscara protetora puxa carrinho pelos trilhos de trem na Favela do Moinho, em São Paulo, Brasil, na quinta-feira, 25 de junho de 2020. (Marcelo Rochas/Bloomberg)

Ligia Tuon

Ligia Tuon

Publicado em 5 de agosto de 2020 às 16h46.

Última atualização em 5 de agosto de 2020 às 21h33.

O 7 a 1 na Copa de 2014 não foi nada perto do baile que o Brasil tomou da economia nos anos que se seguiram.

Não é segredo para ninguém que o país vem se arrastando para tentar recuperar o que perdeu em sua última recessão (2015/2016). Mas, ao pensarmos em quanto poderia ter ganhado desde então — não fossem os solavancos desse período —, os olhos podem marejar.

Um cálculo feito pelo economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, mostra que o Brasil poderia estar com 1,8 trilhão de reais a mais em riquezas atualmente, ou 27% maior, se tivesse seguido com o ritmo de crescimento de 2014.

O resultado dessas contas mostra ainda que os investimentos poderiam ter chegado a 52% do PIB potencial nesse período, se tornando, junto com as importações, o maior dos setores.

São quase 800 bilhões de reais abaixo do que poderia ter sido alcançado a essa altura, diz o economista em carta quinzenal: "Se tivesse mantido o ritmo, a taxa de investimento estaria em 22% do PIB e não em 14%".

Além de ter passado por uma grave recessão no início do período considerado para o cálculo, o Brasil passou por outros momentos traumáticos para sua economia, como o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff em 2016, e a greve dos caminhoneiros em 2018, que causou a paralisação das redes de abastecimento do país.

Na projeção, o economista considerou o PIB de 2013 para chegar ao crescimento acumulado até 2020. Ao mesmo tempo, fez o cálculo também para os setores produtivos, levando em conta a média de crescimento entre 1997 e 2013.

No caso da indústria da construção civil, o levantamento mostra que o setor está 49% abaixo do potencial, ou 181 bilhões de reais menor. A perda é parecida para serviços, o principal motor da economia atualmente, que poderia estar 30% maior.

Até o agronegócio estaria melhor, diz Vale, embora ainda 8% abaixo da média de crescimento anterior. O setor que já havia passado por ganhos importantes de produtividade nas décadas anteriores teve um boom nos anos 1990, quando virou o principal responsável pelo superávit da balança comercial.

O setor público está entre os que menos deixaram de crescer nas últimas décadas. Para Vale, pode-se pensar nele como estabilizador automático em recessões como tivemos, mas é bom lembrar que a boa parte da origem da crise vivida nesses anos veio da parte fiscal.

"De qualquer maneira, mostra uma resiliência política do setor em comparação com outros da economia", diz.

Aonde vamos chegar?

O período que começa em 2014 e vai até os dias de hoje ainda é uma incógnita para o especialista.

"Pode ser a continuidade de anos medíocres vistos nas décadas anteriores ou um novo período de piora econômica mais profunda", diz. Mudar isso depende, segundo ele, da continuidade de reformas que têm sido feitas, mas também de uma estabilidade política que nos falta há alguns anos:

"Não há como se enganar que a recente tranquilidade do governo Bolsonaro seja suficiente para se crer na fala do ministro da Economia de que o Brasil surpreenderá o mundo", diz.

Vale ressalta que não se deve considerar o período entre 1997 e 2013 especialmente forte em crescimento na média, "o que apenas coloca o resultado em situação ainda pior."

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