Drogas e prostituição vão contar para PIB oficial britânico

Depois da Itália, agora é o Reino Unido que vai começar a levar em conta atividades ilegais nos cálculos oficiais da economia

São Paulo – Todo mundo sabe que o tráfico de drogas e a prostituição movimentam quantias enormes de dinheiro. 

Agora, os governos estão concluindo que pode ser uma boa ideia incluir estes números no cálculos oficiais do tamanho da economia.

Nesta semana, o Reino Unido detalhou as mudanças que fará na metodologia do PIB (Produto Interno Bruto) a partir de setembro. 

Algumas atividades ilegais passarão a ser incluídas, tais como a prostituição e o consumo, fabricação e importação de drogas ilegais, diz o Escritório de Estatísticas Nacionais (ONS).

A mudança deve representar um acréscimo de quase 10 bilhões de libras no PIB oficial de 2009 (£5,3 bilhões da prostituição e £4,4 bilhões das drogas)

O anúncio vem logo após uma decisão semelhante da Itália. Os dois países estão se ajustando a novas regras da União Europeia, que recomendam o registro de todas as transações – legais e ilegais – com o objetivo de harmonizar as estatísticas de todo o bloco.

Ilegalidade

O monitoramento da economia ilegal cria uma dificuldade adicional para os escritórios de estatística. Afinal, como registrar detalhes de atividades que se tenta esconder a qualquer custo?

O ONS britânico explica: no caso das drogas, olha-se para a demanda. Pesquisas oficiais descobrem o preço médio e a porcentagem de usuários no país, e o cálculo é extrapolado para o total da economia.

No caso da prostituição, olha-se para a oferta: há estimativas do número de prostitutas, dos preços cobrados e da quantidade de clientes. Multiplicando os três valores, é possível chegar a um número final. 

O escritório reconhece que estes métodos dependem de suposições muitas vezes frágeis, especialmente no caso do comércio sexual.

No ano passado, um estudo encomendado pelo governo americano estimou o tamanho da economia ilegal em oito grandes cidades do país com base em entrevistas de campo.

Métodos

Padrões internacionais existem, mas a decisão de como medir o PIB continua sendo uma prerrogativa de cada economia.

E como novos produtos e serviços são criados (ou desaparecem) todos os dias, a recomendação é que os países atualizem seus critérios no mínimo a cada 5 anos.

“Na medida em que as economias se desenvolvem e evoluem, o mesmo precisa acontecer com as estatísticas que as medem”, disse Joe Grice, conselheiro-chefe econômico da ONS.

Estas atualizações metodológicas podem ser triviais ou podem mudar radicalmente a posição relativa de economias – como mostram os casos da Nigéria (que ultrapassou a África do Sul este ano) e da Itália (que passou brevemente a economia britânica nos anos 80).

No ano passado, uma mudança na forma de calcular o investimento adicionou 3,2% ao PIB americano.

O crescimento do PIB brasileiro em 2013 foi revisado hoje de 2,3% para 2,5% por causa de mudanças na forma que o IBGE calcula a produção industrial. 

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