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Crise hídrica: risco de faltar energia ameaça investimentos em 2022

Para especialista, país precisa resolver gargalos a fim de garantir eletricidade para retomada mais vigorosa da economia

O risco de faltar energia se converteu em um fator de incerteza para as empresas e já é suficiente para afetar o crescimento da economia, postergar as decisões de investimento e pressionar a inflação. A economista-chefe do Credit Suisse, Solange Srour, pondera que a crise hídrica funciona como um ingrediente adicional para turvar o cenário de 2022, já marcado por indefinições em relação à trajetória da política fiscal e do comportamento do governo em ano eleitoral.

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— As incertezas em relação à necessidade de restringir o consumo de forma compulsória brecam o investimento e trazem restrição ao consumo. Só a incerteza já traz esse risco. Não precisa do fato. A economia está em um momento especial de boom de commodities. O Brasil é um grande exportador, e o setor é muito intensivo em energia. O país vai perder esse momento? — perguntou. — Converso muito com os empresários. E eles não estão tomando decisão nenhuma. Esse final de ano vai ser de paralisação. Isso, infelizmente, vai atrapalhar muito a recuperação do Brasil.

Impacto na inflação

Solange ressaltou que energia é fator crucial para a expansão da economia. O risco de escassez de água para geração de eletricidade vai além de um debate setorial. Tem potencial para afetar praticamente todos os preços, da indústria ao setor de serviços, pressiona a inflação e dificulta a tomada de decisão do Banco Central (BC), que busca combater o avanço do índice oficial, o IPCA, sem minar a atividade econômica.

Nesta semana, a autoridade monetária elevou a Taxa Selic pela quinta vez seguida, agora para 6,25% ao ano.

— A energia impacta o custo de vários setores relevantes da economia. Isso vai ter de ser repassado. As empresas não têm margem. O BC vai ter um trabalho grande. Os juros já vão estar altos. Vai subir o preço dos produtos industriais, dos serviços. Vai ter de subir juros em um cenário de atividade rateando, em ano eleitoral. Não vejo a inércia inflacionária permitindo que a gente fique tranquilo com a inflação de 2022 — afirmou a economista.

Preços mais altos resultam em redução do poder de compra do consumidor, o que significa uma economia em marcha mais lenta do que o esperado em um período em que se projetava recuperação da atividade econômica. A inflação acumulada em 12 meses até agosto está em 9,68% e os fatores de pressão têm persistido ao longo do ano, como os valores de energia elétrica, combustíveis e alimentos.

Um dos pontos de discussão levantados durante o evento foi justamente o quanto a energia elétrica pode se tornar um freio para uma expansão mais vigorosa da atividade econômica.

Com um PIB que “anda de lado” no jargão dos economistas e que não consegue emendar uma trajetória de recuperação mais consistente, especialistas lembram que todas as vezes que o país começou a alçar voos mais altos esbarrou em questões energéticas.

Indagado sobre o fôlego do setor elétrico para que o país possa sonhar com um “Pibão” ou sustentar anos seguidos de crescimento econômico, Christiano Vieira, secretário de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia (MME), lembrou que o Brasil tem capacidade instalada de 186 GW (gigawatts) e demanda máxima de 85 GW.

Ele afirmou que a escassez de chuvas afetou as hidrelétricas, mas que o governo vem adotando medidas adicionais para contar com um sistema seguro 100% do tempo.

— O sistema é planejado com lógica econômica para garantir atendimento com segurança e confiabilidade a maior parte do tempo. Em 95% do tempo está garantido. E nos outros 5%? Temos uma escassez hídrica e tomamos medidas adicionais, de acordo com a dificuldade colocada pelo momento, como o leilão de energia que será feito ainda em outubro.

Diversificação da matriz

No próximo mês, o governo fará um leilão para contratação de energia termelétrica. O objetivo é assegurar a segurança no fornecimento em 2022, ainda que a um custo mais alto do que o de hidrelétricas.

Luiz Carlos Ciocchi, diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), destacou, por sua vez, que é preciso diversificar a matriz energética e aproveitar o potencial da energia eólica, solar e nuclear, além do biodiesel e da produção de gás no pré-sal:

— Temos sistema robusto, mas que não é imune a falhas. Estamos fazendo tudo que é possível para evitar uma situação pior. Entre 2021 e 2022, temos mais 10 GW para entrar em funcionamento e mais linhas de transmissão. Há uma sinalização positiva, mas problemas podem acontecer.

Solange diz que é preciso planejamento de longo prazo para reduzir a frequência de crises na área de energia:

— Toda vez que a gente tentou crescer um pouco mais, esbarrou na questão energética. O risco existe, e o crescimento acaba sendo restrito. E sem investimento não tem crescimento lá na frente.

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