Economia

Conheça o plano de reabertura do estado de São Paulo após quarentena

Flexibilização só virá após controle do coronavírus e será priorizada de acordo com "vulnerabilidade econômica e empregatícia"

Pessoa usa máscara de proteção no metrô Sumaré, em São Paulo.  (Fabio Vieira/FotoRua/NurPhoto/Getty Images)

Pessoa usa máscara de proteção no metrô Sumaré, em São Paulo. (Fabio Vieira/FotoRua/NurPhoto/Getty Images)

João Pedro Caleiro

João Pedro Caleiro

Publicado em 8 de maio de 2020 às 14h26.

Última atualização em 8 de maio de 2020 às 15h35.

A extensão da quarentena em todo o estado de São Paulo até o dia 31 de maio foi anunciada nesta sexta-feira, 8, pelo governador João Doria em coletiva de imprensa na qual também foram divulgadas algumas diretrizes para o plano de retomada econômica.

O critério para relaxamento da quarentena será quando houver redução sustentada dos casos e a ocupação dos leitos de UTI estiver inferior a 60%.

“Estamos prontos para colocar o plano em vigor no momento em que os indicadores de saúde determinarem que é o momento seguro”, disse a economista Ana Carla Abrão, coordenadora do Conselho Econômico do Estado de São Paulo.

O grupo, criado para auxiliar o governo estadual no diagnóstico das medidas, também contou com a colaboração dos economistas Alexandre Schwartzman, Eduardo Haddad e Persio Arida.

Foram ouvidas 150 entidades e 250 empresas. Transportes e educação receberão tratamento próprio.

Mas de forma geral, a flexibilização terá quatro fases, com priorização de setores de acordo com a "vulnerabilidade econômica e empregatícia".

De 67 setores econômicos, 15 foram identificados como mais críticos. São eles:

  • Serviço doméstico
  • Organizações associativas e outros serviços pessoais (academia e beleza)
  • Atividades artísticas, criativas, eventos e espetáculos (economia criativa)
  • Comércio
  • Construção civil e infraestrutura
  • Outras atividades administrativas, turismo e serviços complementares
  • Alojamento e hotelaria
  • Edição e edição integrada à impressão
  • Alugueis não imobiliários e gestão de ativos de propriedade intelectual
  • Alimentação, bares e restaurantes
  • Atividades imobiliárias
  • Transporte terrestre
  • Transporte aéreo
  • Educação pública
  • Economia criativa - produção audiovisual

Patricia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, destacou que a economia será retomada em várias etapas e com novos procedimentos.

"A gente não vai voltar à normalidade enquanto estivermos convivendo com a covid-19. Teremos de fazer essas atividades de forma diferente, por isso o trabalho de protocolos é tão importante", disse Ellen.

A previsão é que os protocolos sejam finalizados e anunciados nos próximos dias e que a intensidade desses protocolos seja mais forte num primeiro momento e flexibilizadas ao longo do tempo.

O prefeito Bruno Covas lembrou que não há oposição entre saúde e economia, ponto também levantado por Henrique Meirelles, secretário da Fazenda do estado.

"Circula em meios de opinião e poder que o isolamento é o que está causando a crise. Não é. É o contrário. A crise é causada pela pandemia. Isso parece óbvio, mas o discurso e as ações de muitos estão exatamente agindo na direção contrária", disse Meirelles.

Ele deu o exemplo de setores em que não há restrição legal, como o de serviços domésticos, mas que ainda assim é um dos mais afetados devido às mudanças de comportamento.

Leia na íntegra o projeto do Plano São Paulo para reabertura gradual da economia

Acompanhe tudo sobre:CoronavírusHenrique MeirellesJoão Doria Júniorsao-paulo

Mais de Economia

Qual é a diferença entre bloqueio e contingenciamento de recursos do Orçamento? Entenda

Haddad anuncia corte de R$ 15 bilhões no Orçamento de 2024 para cumprir arcabouço e meta fiscal

Fazenda mantém projeção do PIB de 2024 em 2,5%; expectativa para inflação sobe para 3,9%

Mais na Exame