Com balança pior, BC vê maior rombo nas transações correntes

Brasil terá déficit em transações correntes ainda maior neste ano, após fechar fevereiro com rombo recorde

Brasília - Com a balança comercial cada vez mais fraca, o Brasil terá déficit em transações correntes ainda maior neste ano, após fechar fevereiro com rombo recorde, sem que os investimentos produtivos sejam suficientes para financiá-lo.

No mês passado, a conta corrente do país fechou com saldo negativo de 7,445 bilhões de dólares, enquanto o Investimento Estrangeiro Direto (IED) somou 4,132 bilhões de dólares, informou o Banco Central nesta segunda-feira.

Para o ano fechado, o BC piorou sua projeção para o déficit em transações correntes em 2 bilhões de dólares, a 80 bilhões de dólares, ao mesmo tempo em que manteve suas contas para o IED em 63 bilhões de dólares.

"Não é uma situação confortável se levarmos em conta que o quadro de liquidez abundante e farta oferta de financiamento está sendo alterado por mudanças nos Estados Unidos", disse o economista-chefe da SulAmérica Investimento, Newton Rosa, referindo-se à redução no programa de estímulos do Federal Reserve, que limita a liquidez nos mercados, e à expectativa de alta nos juros na maior economia do mundo.

O resultado do mês passado veio praticamente em linha com as expectativas de economistas ouvidos pela Reuters, de saldo negativo da conta corrente de 8 bilhões de dólares e IED de 3,8 bilhões de dólares.

Para março, o BC estima déficit de 5,8 bilhões de dólares e IED de apenas 3,2 bilhões de dólares, em mais um sinal de deterioração das contas externas no país.

A autoridade monetária está vendo a balança comercial com pior resultado neste ano, com superávit de 8 bilhões de dólares, abaixo dos 10 bilhões de dólares calculados antes. Neste caso, as contas para as exportações passaram a 253 bilhões de dólares neste ano, ante previsão de 255 bilhões de dólares, devido a preços menores no mercado externo das commodities agrícolas e minerais.

No mês passado, a conta corrente brasileira também foi impactada pela balança comercial, com déficit de 2,125 bilhões de dólares, após registrar saldo negativo de pouco mais de 4 bilhões de dólares em janeiro.

Também pesaram negativamente as remessas de lucros e dividendos, que alcançaram 1,286 bilhão de dólares em fevereiro, e os gastos líquidos com viagens internacionais, de 1,324 bilhão de dólares.

"Os indicadores externos são robustos e mostram solidez das contas externas", disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, em referência ao ingresso de IED e às taxas de rolagem de empréstimos de médio e longo prazos, que em fevereiro ficaram em 140 por cento.

No acumulado do ano, o déficit em transações correntes do país somou 19,036 bilhões de dólares e, em fevereiro, correspondeu a 3,67 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em 12 meses.

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