CNI aponta maior queda na produção industrial para dezembro

Confederação Nacional da Indústria informou que o setor registrou em dezembro passado a maior queda de produção mensal desde 2010 para meses de dezembro

Brasília - A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou hoje (24) que o setor industrial registrou em dezembro passado a maior queda de produção mensal desde 2010, para meses de dezembro.

Os números estão no informativo Sondagem Industrial, divulgada nessa manhã, e indicam que o índice caiu para 40,2 pontos.

“É o menor da série história que começou em 2010. Esse índice, mais distante, mostra que a comparação mensal foi a mais intensa [atingiu um número maior de empresas] da série. É comum essa queda em dezembro, mas foi mais intensa”, disse Marcelo Azevedo, economista da CNI.

O maior problema foi registrado nas grandes empresas, onde o índice chegou a 38,3 pontos. Os indicadores variam de 0 a 100 e abaixo de 50 indicam queda na produção e no número de empregados.

A CNI informou ainda que as empresas de grande porte foram as que mais demitiram. O índice de evolução do número de empregados caiu para 46,4 pontos no mês passado, acima dos 45,9 pontos registrados nas grandes indústrias.

A CNI indica também que, com uma produção menor, houve um recuo na capacidade instalada em relação ao usual. O indicador caiu para 41,7 pontos em dezembro. Como ficou abaixo de 50 pontos, mostra que esteve abaixo do usual para o mês. 

Além disso, conforme critérios da CNI, quanto mais distante do referencial de 50 pontos, maior o desaquecimento da economia.


A média de utilização da capacidade instalada (UCI) da indústria recuou 4 pontos percentuais entre novembro e dezembro, para 70%. Nas grandes empresas, porém, a queda alcançou 5 pontos percentuais.

A variação é maior do que os 2 pontos percentuais das pequenas empresas e dos 4 pontos percentuais das médias empresas.

“A boa notícia é que os estoque continuam ajustados em níveis aceitáveis. Em dezembro, logicamente, tivemos uma queda nos estoque, mas uma variação esperada, porque a indústria se prepara para atender à demanda do período”, disse Azevedo.

A CNI continua a reclamar do alto custo de insumos e matérias-primas, mas também insiste na alta carga tributária. Esses fatores teriam influenciado na queda da produção industrial, na análise da entidade, que detectou uma retração no setor.

“Isso é um sinal de alerta, porque as grandes indústria compram das médias e pequenas empresas. Essa retração pode criar um efeito, repassando para as demais indústrias esse mau desempenho, o que vai dificultar, certamente, a recuperação do setor no primeiro trimestre”, avalia Renato Fonseca, gerente executivo de Pesquisa e Competitividade da CNI.

Segundo ele, desde 2000, a principal reclamação da indústria é a elevada tributação, mas, agora, existe a questão da matéria-prima também. Renato Fonseca destaca que a indústria tem problemas de demanda e de competição com produtos importados.

“O principal problema da indústria continua sendo o de custos. Isso vem gerando um problema na lucratividade e de investimento, principalmente”, enfatizou.

Obrigado por ler a EXAME! Que tal se tornar assinante?


Tenha acesso ilimitado ao melhor conteúdo de seu dia. Em poucos minutos, você cria sua conta e continua lendo esta matéria. Vamos lá?


Falta pouco para você liberar seu acesso.

exame digital

R$ 3,90/mês
  • R$ 9,90 após o terceiro mês.

  • Acesse quando e onde quiser.

  • Acesso ilimitado ao EXAME Invest, macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo e tecnologia.
Assine

exame digital anual

R$ 99,00/ano
  • R$ 99,00 à vista ou em até 12 vezes. (R$ 8,25 ao mês)

  • Acesse quando e onde quiser.

  • Acesso ilimitado ao EXAME Invest, macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo e tecnologia.
Assine

Já é assinante? Entre aqui.