China pede que bancos segurem empréstimos em 2021, dizem fontes

As restrições ao crédito devem drenar a liquidez do mercado acionário e pressionar setores de empresas cujos papéis negociam a preços altos

O banco central da China solicitou às maiores instituições financeiras do país que desacelerem a expansão dos empréstimos no resto do ano, pois o salto nos primeiros dois meses intensificou o risco de bolhas, segundo pessoas a par do assunto.

Em reunião com o Banco Popular da China em 22 de março, as instituições foram instruídas a manter novos empréstimos em 2021 aproximadamente no mesmo nível do ano passado, disseram as pessoas, que não quiseram ser identificadas. Alguns bancos estrangeiros também foram instados a frear empréstimos adicionais, após reforçarem seus balanços patrimoniais em 2020, disse uma das pessoas.

Os comentários dão mais detalhes sobre os comunicados públicos da autoridade monetária após a reunião, quando pediu a representantes de 24 grandes bancos que mantivessem o crescimento dos empréstimos em um nível estável e razoável. Em 2020, os bancos concederam um recorde de 19,6 trilhões de iuanes (3 trilhões de dólares) em crédito, com cerca de 20% direcionado ao financiamento inclusivo, como empréstimos para pequenas empresas. Emprestar a mesma quantia neste ano elevaria o saldo das operações de crédito para cerca de 192 trilhões de iuanes, um aumento anual de cerca de 11%, o menor ritmo em mais de 15 anos.

“Por um lado, haverá desaceleração no crescimento dos empréstimos e, por outro, a desaceleração é bastante moderada”, disse Lu Ting, economista-chefe para a China da Nomura Holdings, acrescentando que o ritmo está de acordo com a posição do banco central chinês de não fazer mudanças bruscas nas políticas.

Com o coronavírus em grande parte sob controle e a economia se recuperando, autoridades chinesas renovaram uma campanha para conter os riscos, especialmente nos setores financeiro e imobiliário. Mesmo que a expansão do crédito diminua, a perspectiva de taxas de juro mais altas e menos ativos duvidosos pode impulsionar a rentabilidade dos bancos, cujos lucros despencaram depois que receberam a tarefa de conceder financiamento barato durante a pandemia.

O banco central da China não comentou de imediato.

Bancos chineses concederam 4,9 trilhões de iuanes em novos empréstimos nos primeiros dois meses, 16% mais do que no mesmo período do ano passado, mostram dados oficiais. O banco central disse às instituições em fevereiro para que mantivessem os novos empréstimos no primeiro trimestre aproximadamente no mesmo nível do ano passado, ou mais baixo, segundo informação publicada anteriormente pelo Financial Times.

As restrições ao crédito vão drenar a liquidez do mercado acionário e pressionar setores de empresas cujos papéis negociam a preços altos, disse Ken Chen, analista da KGI Securities, em Xangai.

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