Economia

Brasil patina na produtividade do trabalho e limita potencial do PIB, diz BC

O avanço médio da produtividade do trabalho foi de 0,6% ao ano entre 2019 e 2025, com trajetória irregular

Produtividade no trabalho: O BC destaca que o ganho de produtividade está concentrado principalmente pelo chamado efeito composição — quando trabalhadores migram para setores mais produtivos (Leandro Fonseca /Exame)

Produtividade no trabalho: O BC destaca que o ganho de produtividade está concentrado principalmente pelo chamado efeito composição — quando trabalhadores migram para setores mais produtivos (Leandro Fonseca /Exame)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 26 de março de 2026 às 11h51.

O Banco Central (BC) avalia que o desempenho recente da produtividade no Brasil tem sido limitado e pode restringir o crescimento da economia nos próximos anos.

Segundo o Relatório de Política Monetária, o crescimento da produtividade do trabalho desde 2019 foi modesto e insuficiente para sustentar uma expansão mais robusta do PIB (Produto Interno Bruto).

De acordo com o BC, entre 2019 e 2025, o Valor Adicionado Bruto (VAB) da economia cresceu 13,9%, enquanto a população ocupada avançou 10%. No mesmo período, a produtividade do trabalho subiu apenas 3,5%.

Os dados indicam que a maior parte do crescimento da economia ocorreu pela incorporação de trabalhadores, e não por ganhos de eficiência.

O avanço médio da produtividade foi de 0,6% ao ano no período, com trajetória irregular. Houve alta em 2020, influenciada pelo choque da pandemia, seguida de reversão até 2022. Em 2023, o indicador voltou a subir, impulsionado pela agropecuária, antes de desacelerar novamente.

O BC destaca que o ganho de produtividade está concentrado principalmente pelo chamado efeito composição — quando trabalhadores migram para setores mais produtivos — e do desempenho da agropecuária.

O efeito direto, que mede ganhos de produtividade dentro dos próprios setores, teve contribuição praticamente nula desde 2019.

Setorialmente, a agropecuária foi o principal destaque, combinando aumento de produção com redução da população ocupada.

Agro em 2026: combinação de margens apertadas, juros elevados e volatilidade política — impulsionada pelas eleições presidenciais — deve testar a resiliência dos produtores rurais (Freepik)

Alguns segmentos de serviços também apresentaram desempenho positivo, possivelmente associados à incorporação de tecnologia e mudanças organizacionais.

Por outro lado, a maior parte dos setores registrou avanço limitado ou até queda na produtividade.

Estagnação fora da agropecuária preocupa

Ao excluir a agropecuária, o cenário é mais fraco. Segundo o BC, a produtividade do trabalho cresceu apenas 1,1% desde 2019, o equivalente a uma média de 0,2% ao ano.

Além disso, o efeito direto passa a ser negativo, indicando perda de eficiência dentro dos setores.

Desde 2023, a produtividade do trabalho permanece praticamente estagnada quando se desconsidera a agropecuária.

O BC avalia que esse quadro limita a capacidade de redução de custos na economia e pode afetar o crescimento de longo prazo.

Segundo o relatório, a combinação de baixa produtividade com restrições ao avanço da população ocupada — em um cenário de desemprego reduzido e menor crescimento da população em idade ativa — pode reduzir o potencial de expansão do PIB.

Nesse contexto, a autoridade monetária aponta um risco adicional: acelerações da demanda tendem a se traduzir em inflação.

Sem ganho consistente de produtividade, o crescimento econômico pode pressionar preços em vez de ampliar a capacidade produtiva.

Acompanhe tudo sobre:produtividade-no-trabalhofalsa produtividadeMercado de trabalho

Mais de Economia

Após fim da 'taxa das blusinhas', importações de até US$ 50 aumentam 40%

IBC-Br: prévia do PIB sobe 0,10% em maio de 2026

Novo tarifaço dos EUA afeta 18% das exportações brasileiras, diz governo Lula

Crítica dos EUA ao Pix é como dizer que 'saneamento prejudicou caminhão pipa', diz Galípolo