BCs do Japão e da Europa: o pior passou, mas segunda onda é o maior risco

Em eventos nesta sexta-feira, autoridades pediram que países se preparem para uma segunda onda do coronavírus e citaram desafios da recuperação econômica

Presidentes dos bancos centrais de Europa e do Japão se pronunciaram nesta sexta-feira sobre suas expectativas para a economia em meio à crise do coronavírus. Os dois acreditam no começo de uma retomada econômica no segundo semestre, mas, para chegar lá, têm alguns desafios parecidos: uma segunda onda do novo coronavírus e uma recuperação pouco linear, que pode ter altos e baixos.

O presidente do banco central do Japão, Haruhiko Kuroda, disse que os efeitos de uma segunda onda da pandemia do coronavírus podem prejudicar a economia japonesa “consideravelmente”, sinalizando a prontidão do banco para acelerar medidas de estímulo novamente para amortecer qualquer golpe da crise.

Participando de evento online nesta sexta-feira, Kuroda disse estar “cautelosamente otimista” de que a economia do Japão vai se recuperar gradualmente a partir do segundo semestre deste ano, permitindo que o Banco do Japão reduza suas medidas de resposta à crise.

Na Europa, em outro evento online, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, disse que a zona do euro “provavelmente superou” o pior da crise econômica causada pela pandemia de cornavírus, mas a recuperação será irregular.

Falando no momento em que os temores de uma segunda onda abalam investidores e o público em geral no mundo, Lagarde adotou um tom construtivo mas pediu às autoridades que usem a trégua atualmente oferecida pelo vírus para que se preparem.

“Provavelmente superamos o ponto mais baixo e digo que com alguma trepidação, porque é claro que pode haver uma segunda onda grave”, disse Lagarde.

Países como os Estados Unidos vêm tendo alta no número de novos casos de coronavírus em meio à reabertura da economia, levantando temores nos mercados globais de que a pandemia possa ter um novo pico nos países desenvolvidos. Em países da América do Sul, como o Brasil, que tem mais de 1,2 milhão de casos de coronavírus, a recuperação pode ser ainda mais lenta em meio aos esforços para conter a pandemia.

Nesta semana, o Fundo Monetário Internacional (FMI) atualizou suas projeções para a queda na economia global, que ficaram piores do que no relatório anterior. A organização disse na quarta-feira, 24, que o Produto Interno Bruto (PIB) global encolherá 4,9% neste ano, ante projeção de 3% em abril.

Para o Brasil, as previsões são piores do que no resto do mundo. A projeção de queda do PIB brasileiro em 2020 feita pelo FMI foi de 5,3% no relatório anterior para 9,1%. O Brasil foi um dos que tiveram maior corte na projeção desde o último relatório do FMI, em abril. A previsão do Boletim Focus, que reúne semanalmente as previsões de mercado brasileiro, é de uma queda de 6,5% em 2020. O governo brasileiro ainda prevê queda menor do PIB, de 4,7% no ano.

Resposta dos bancos à crise

Kuroda disse que o banco central japonês não vê necessidade imediata de cortar os juros e, em vez disso, vai se concentrar em aliviar os apertos de financiamento corporativo e estabilizar os mercados com suas ferramentas de empréstimos e compras de ativos.

“A economia do Japão está em uma situação extremamente grave”, disse. “No segundo trimestre, provavelmente veremos um crescimento negativo considerável”, disse Kuroda.

O Banco do Japão flexibilizou sua política monetária em março e abril, principalmente aumentando a compra de ativos e criando esquemas de empréstimos para canalizar fundos para empresas atingidas pela pandemia. O banco manteve suas metas de taxa de juros.

Lagarde, por sua vez, alertou ainda que a recuperação será “desigual”, “incompleta” e “transformadora”, o que significa que algumas empresas em setores como viagens aéreas e entretenimento nunca vão se recuperar, enquanto outras sairão mais fortes.

O Banco Central Europeu está no caminho para comprar 1,3 trilhão de euros em títulos e emprestar um volume similar a bancos a taxas negativas para ajudar a economia da zona do euro e evitar um aperto de crédito.

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