Paul Krugman, ganhador do Nobel de Economia em 2008 (Gene Medi/NurPhoto /Getty Images)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 20 de julho de 2026 às 16h57.
Última atualização em 20 de julho de 2026 às 16h58.
O economista norte-americano e vencedor do Nobel de Economia, Paul Krugman, afirmou em texto divulgado nesta segunda-feira, 20, que o governo de Donald Trump cria uma "guerra contra o futuro" ao ter o Pix como alvo.
O autor se manifestou após o governo dos EUA confirmar a tarifa de 25% a exportações brasileiras, que começam a valer nesta quarta-feira, 22.
Na avaliação de Krugman, a iniciativa da Casa Branca não deverá alcançar os objetivos pretendidos. Segundo ele, a medida tende a fortalecer politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e terá impacto econômico limitado.
"Usar tarifas para punir o Brasil por seus avanços monetários não dará certo. Politicamente, a medida apenas fortalecerá o presidente Lula", escreveu.
Krugman argumenta que o Pix se consolidou como um dos sistemas de pagamento digital mais bem-sucedidos do mundo. Segundo ele, a ferramenta, gratuita para pessoas físicas e de baixo custo para empresas, é utilizada regularmente pela grande maioria dos brasileiros.
No artigo, o economista afirma que o governo Trump pretende enquadrar o Pix como uma prática comercial desleal com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo utilizado pelos Estados Unidos para aplicar sanções comerciais.
Para Krugman, a justificativa não se sustenta. Ele argumenta que o Pix funciona como uma versão digital do real e compara a obrigação dos bancos brasileiros de oferecerem o sistema à exigência de que instituições financeiras americanas aceitem depósitos e saques em dólar.
O ganhador do Nobel também afirma que o principal impacto econômico do Pix foi aumentar a concorrência no setor de pagamentos, reduzindo espaço para empresas como Visa e Mastercard. Segundo ele, perder mercado para uma tecnologia mais eficiente não configura prática desleal.
Krugman sustenta que a oposição ao Pix reflete interesses de grupos econômicos ligados ao sistema financeiro e ao mercado de criptomoedas. Segundo ele, um sistema público de moeda digital reduziria a atratividade de produtos privados, como stablecoins e outros ativos digitais.
O economista lembra que parlamentares republicanos aprovaram, no ano passado, um projeto para impedir não apenas a criação de um dólar digital, mas também estudos do Federal Reserve sobre o tema.
Para ele, o problema não está na tecnologia, mas na resistência de setores que poderiam perder espaço caso os Estados Unidos adotassem um sistema semelhante ao brasileiro.
Krugman afirma que o Brasil, sozinho, não representa uma ameaça relevante à posição internacional do dólar. Na avaliação dele, um desafio maior poderá surgir caso o Banco Central Europeu consiga implementar um euro digital, previsto para os próximos anos.
Segundo o economista, eventuais mudanças no sistema internacional de pagamentos ocorreriam porque outros países ofereceriam meios mais eficientes de realizar transações, e não por qualquer ação do Brasil.
Ao encerrar o texto, Krugman compara a postura do governo Trump em relação ao Pix à oposição da administração americana às energias renováveis. Para ele, ambos os casos refletem resistência a tecnologias consideradas superiores quando elas contrariam interesses econômicos ou ideológicos de grupos influentes.