Economia

Ata do Copom não descarta novos cortes da Selic mas cita 'aumento de incerteza'

Banco Central afirma que próximos passos dependerão da evolução do cenário econômico e reforça necessidade de manter política monetária restritiva

Super quarta: guerra e petróleo colocam em dúvida início dos cortes de juros no Brasil e nos EUA (Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Super quarta: guerra e petróleo colocam em dúvida início dos cortes de juros no Brasil e nos EUA (Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 22 de setembro de 2026 às 08h47.

Última atualização em 22 de setembro de 2026 às 09h03.

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O Banco Central manteve aberta a possibilidade de novos cortes da Selic, mas afirmou que o ritmo dependerá dos dados de inflação, atividade econômica e expectativas. Na ata de setembro, o Copom destacou o aumento da incerteza, expectativas de inflação acima da meta e a necessidade de manter uma política monetária restritiva.


O Banco Central não descartou novos cortes da taxa Selic, mas afirmou que a condução da política monetária dependerá da evolução dos dados econômicos e destacou o aumento da incerteza no cenário atual.

Na ata da reunião de setembro do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira, 22, o colegiado afirmou que a “magnitude do ciclo de calibração” dos juros será ajustada conforme a evolução da inflação, da atividade econômica e das expectativas.

O documento detalha a decisão de reduzir a Selic, a taxa básica de juros da economia, de 14% para 13,75% ao ano. Apesar do corte, o Copom reforçou que a política monetária permanece em terreno restritivo, ou seja, em um nível de juros considerado necessário para reduzir pressões inflacionárias.

A comunicação do BC mantém aberta a possibilidade de continuidade do ciclo de cortes, mas não indica uma trajetória definida para as próximas reuniões, em um momento em que parte do mercado avalia se a redução anunciada em setembro poderia encerrar o processo de queda dos juros.

Segundo o Copom, o cenário atual é marcado por “significativo aumento da incerteza”, desancoragem das expectativas de inflação e riscos elevados em torno do cenário-base.

O comitê afirmou que seguirá incorporando novas informações para manter o grau adequado de restrição monetária e assegurar a convergência da inflação à meta.

Copom vê efeitos dos juros na atividade econômica

O Banco Central afirmou que as evidências de transmissão da política monetária contracionista para a atividade econômica têm se acumulado gradualmente.

Segundo a ata, os indicadores divulgados desde a última reunião mostram uma moderação da atividade, principalmente nos setores mais sensíveis ao ciclo econômico. O PIB do segundo trimestre de 2026 confirmou a desaceleração observada por outros dados e mostrou um enfraquecimento maior nas atividades e nos componentes da demanda mais afetados pela alta dos juros.

O comitê afirmou que o arrefecimento da demanda agregada é um elemento essencial para o reequilíbrio entre oferta e demanda e para a convergência da inflação à meta.

No mercado de crédito, o Copom apontou desaceleração das operações com recursos livres, especialmente nas modalidades de prazo mais longo, que costumam responder mais diretamente aos efeitos da política monetária. As linhas de curto prazo continuaram crescendo, mas em ritmo menor.

Já os créditos direcionados, como financiamentos imobiliários para pessoas físicas e operações empresariais apoiadas por fundos garantidores, mantiveram trajetória de expansão.

Inflação desacelera, mas expectativas seguem acima da meta

A ata mostrou que o Copom identificou desaceleração da inflação ao consumidor nas leituras mais recentes. Tanto o índice cheio quanto a média dos indicadores de inflação subjacente ficaram abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, mas ainda acima da meta.

As expectativas de inflação continuam sendo um ponto de atenção para o Banco Central. Pela pesquisa Focus, as projeções para 2026 e 2027 permanecem acima da meta, em 4,9% e 4,3%, respectivamente.

No cenário de referência do Copom, as projeções de inflação acumulada em quatro trimestres são de 5,2% para 2026, 3,9% para 2027 e 3,2% para o primeiro trimestre de 2028, considerado o horizonte relevante para a política monetária.

O comitê afirmou que, em um ambiente de expectativas desancoradas, a política monetária precisa permanecer mais restritiva e por mais tempo para contribuir com a convergência da inflação à meta.

BC mantém alerta sobre cenário fiscal e externo

O Copom voltou a destacar os impactos potenciais da política fiscal sobre a inflação e sobre a taxa de juros estrutural da economia.

Segundo a ata, dúvidas sobre a estabilização da dívida pública, aumento do crédito direcionado e perda de ritmo em reformas estruturais podem elevar a taxa de juros neutra, conceito que representa o nível de juros compatível com uma economia operando sem pressionar a inflação.

O comitê afirmou que políticas fiscais e monetárias harmoniosas favorecem a convergência da inflação e a efetividade da política monetária.

No cenário externo, o Banco Central citou a indefinição sobre conflitos armados no Oriente Médio e a incerteza sobre a política monetária de algumas economias avançadas. Segundo o documento, esse ambiente contribui para maior volatilidade nos preços de ativos e commodities.

Copom lista riscos para a inflação

O colegiado avaliou que os riscos para a inflação permanecem mais elevados que o usual e com assimetria altista, quando há maior possibilidade de pressões de alta sobre os preços.

Entre os riscos citados estão uma desancoragem das expectativas de inflação por período prolongado, maior resistência da inflação de serviços, uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada e estímulos à demanda acima da capacidade produtiva da economia.

Entre os fatores que poderiam pressionar a inflação para baixo, o Copom apontou uma desaceleração mais intensa da atividade doméstica, uma desaceleração global mais forte e uma redução nos preços das commodities.

Perguntas frequentes

O Banco Central vai continuar cortando a Selic? +

O Banco Central não descartou novos cortes da Selic, mas afirmou que as próximas decisões dependerão da evolução da inflação, da atividade econômica e das expectativas. O Copom não indicou uma trajetória definida para as próximas reuniões.

Qual foi a decisão do Copom sobre a Selic em setembro? +

O Copom reduziu a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano. Apesar da redução, o Banco Central afirmou que os juros continuam em nível restritivo para ajudar no controle da inflação.

Por que o Banco Central mantém cautela com os juros? +

O Copom destacou o aumento da incerteza, expectativas de inflação ainda acima da meta e riscos elevados no cenário econômico. Segundo o comitê, esse ambiente exige manutenção de uma política monetária mais restritiva.

Qual é a previsão de inflação do Banco Central? +

No cenário de referência do Copom, a inflação acumulada em quatro trimestres deve ficar em 5,2% em 2026, 3,9% em 2027 e 3,2% no primeiro trimestre de 2028, horizonte considerado relevante para a política monetária.

As expectativas de inflação estão dentro da meta? +

Não. Segundo a pesquisa Focus citada na ata, as projeções de inflação para 2026 e 2027 continuam acima da meta, em 4,9% e 4,3%, respectivamente. O Copom considera a desancoragem das expectativas um fator de risco.

Quais riscos de inflação o Banco Central monitora? +

O Copom citou como riscos de alta uma desancoragem prolongada das expectativas, maior resistência da inflação de serviços, câmbio mais depreciado e estímulos à demanda acima da capacidade da economia. Entre os riscos de baixa estão uma desaceleração mais forte da atividade e queda nos preços de commodities.

O que o Banco Central disse sobre o cenário fiscal? +

O Copom afirmou que dúvidas sobre a estabilização da dívida pública, expansão do crédito direcionado e perda de ritmo em reformas estruturais podem elevar a taxa de juros neutra da economia e dificultar a convergência da inflação.


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