Economia

Ata do Copom: sem ajuste fiscal, cenário de inflação desafiador em 2025 exige juro alto

Diretores do BC avaliaram, unanimemente, que se deve perseguir redução das estimativas de inflação independentemente das fontes por trás do aumento

Diretores do Banco Central (BC) reunidos em Brasília para mais uma reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) ( Raphael Ribeiro/BCB/Flickr)

Diretores do Banco Central (BC) reunidos em Brasília para mais uma reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) ( Raphael Ribeiro/BCB/Flickr)

Antonio Temóteo
Antonio Temóteo

Repórter especial de Macroeconomia

Publicado em 25 de junho de 2024 às 08h32.

Última atualização em 25 de junho de 2024 às 17h58.

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta terça-feira, 25, mostrou que os diretores do Banco Central (BC) estão preocupados com a evolução das expectativas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2025. Os membros do colegiado afirmaram que o cenário futuro de inflação se "tornou mais desafiador, com o aumento das projeções de inflação de médio prazo, mesmo condicionadas em uma taxa de juros mais elevada".

"Em sua conclusão, o Comitê avalia que o cenário prospectivo de inflação se tornou mais desafiador, com o aumento das projeções de inflação de médio prazo, mesmo condicionadas em uma taxa de juros mais elevada. Observou surpresas benignas no período recente, mas também elevação das projeções de prazos mais curtos, envolvendo preços livres. Ao fim, concluiu-se unanimemente pela necessidade de uma política monetária mais contracionista e mais cautelosa, de modo a reforçar a dinâmica desinflacionária", informou o BC, na ata do Copom.

Diante do cenário inflacionário mais desafiador, os membros do Copom também reafirmaram, unanimente, que devem perseguir a "reancoragem" (isto é, convergência) das expectativas para o IPCA de 2024 e 2025, independentemente de quais sejam os fatores por trás da "desancoragem".

As estimativas inflacionárias para 2025 aumentaram semanalmente por oito vezes consecutivas no Boletim Focus após o governo mudar as metas fiscais para os próximos anos.

"O Comitê unanimemente avalia que se deve perseguir a "reancoragem" das expectativas de inflação independentemente de quais sejam as fontes por trás da "desancoragem" ora observada e ressalta que a reancoragem das expectativas de inflação é vista como elemento essencial para assegurar a convergência da inflação para a meta. O Comitê avalia que a redução das expectativas requer uma atuação firme da autoridade monetária, bem como o contínuo fortalecimento da credibilidade e da reputação tanto das instituições como dos arcabouços fiscal e monetário que compõem a política econômica brasileira. O Comitê não se furtará de seu compromisso com o atingimento da meta de inflação e entende o papel fundamental das expectativas na dinâmica da inflação", informou o BC.

Mudança de meta fiscal alterou apostas

O aumento das incertezas desde as últimas reuniões do Copom consolidou a aposta de queda de 0,25 ponto percentual de juros em maio e de fim do ciclo de cortes em junho. A mudança da meta fiscal se traduziu em aumento das expectativas de inflação.

Como mostrou a EXAME, após a decisão do governo de mudar as metas fiscais, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, passou a dar ênfase nos discursos sobre a necessidade de ancorar as projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Na ata do Copom, o BC afirmou claramente que "monitora com atenção como os desenvolvimentos recentes da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros".

"O Comitê monitora com atenção como os desenvolvimentos recentes da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros. O Comitê reafirma que uma política fiscal crível e comprometida com a sustentabilidade da dívida contribui para a ancoragem das expectativas de inflação e para a redução dos prêmios de risco dos ativos financeiros, consequentemente impactando a política monetária. Políticas monetária e fiscal síncronas e contracíclicas contribuem para assegurar a estabilidade de preços e, sem prejuízo de seu objetivo fundamental, suavizar as flutuações do nível de atividade econômica e fomentar o pleno emprego", informou o BC.

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