Economia

Alckmin diz que governo deve enfrentar efeitos dos penduricalhos: 'Quem paga é o trabalhador'

Em evento, o vice-presidente também defendeu a redução da jornada de trabalho, em meio aos debates na esfera política sobre a escala 6x1

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 13 de abril de 2026 às 16h52.

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O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou nesta segunda-feira que o governo federal precisa enfrentar distorções no serviço público, com foco nos chamados penduricalhos, adicionais que elevam a remuneração de servidores e podem ultrapassar o teto constitucional. Segundo Alckmin, o combate a esses mecanismos é necessário para reduzir privilégios dentro da estrutura estatal.

Durante a declaração, Alckmin apresentou dados sobre o sistema previdenciário. De acordo com ele, o déficit anual por beneficiário do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é de cerca de R$ 9 mil, enquanto, no caso de servidores públicos, esse valor alcança aproximadamente R$ 56 mil. O vice-presidente também destacou que o aumento da longevidade da população exige revisão nos cálculos atuariais, termo técnico relacionado à projeção de receitas e despesas da Previdência.

"Quem paga é o trabalhador, através do salário indireto, porque o Brasil é o campeão mundial do salário indireto sobre consumo. Quem paga é o trabalhador de menor renda. Ele paga os altos salários [...] Tem que fazer ajuste lá em cima, combatendo o privilégio e o desperdício".

No mês passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) definiu a aplicação do teto salarial de R$ 46.366,19 para membros do Judiciário e do Ministério Público. A decisão também atribuiu ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) a responsabilidade de regulamentar o tema por meio de resolução conjunta até a aprovação de legislação específica pelo Congresso Nacional.

Escala 6x1

O vice-presidente também abordou o debate sobre a redução da jornada de trabalho, em análise no Congresso. Ele classificou o tema como parte de uma tendência internacional e associou a mudança ao avanço tecnológico. Alckmin afirmou que o aumento da produtividade permite produzir mais com menos trabalhadores, o que impulsiona discussões sobre redução da carga horária.

"É uma tendência mundial, à medida que com a tecnologia você faz mais com menos gente. Cada vez você produz mais com menos trabalhadores, é uma tendência mundial de redução de jornada. O que nós precisamos é sempre verificar especificidades, verificar algumas áreas que talvez precisem de um tratamento mais especial, mas é uma tendência".

O tema foi discutido durante evento realizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), em São Paulo. No encontro, participantes manifestaram apoio à chapa formada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin para a Presidência.

Durante o evento, também houve menções a outros nomes do cenário político. Um dos participantes sugeriu apoio a Simone Tebet e Marina Silva, sendo posteriormente lembrado de que Márcio França (PSB) ainda disputa espaço na corrida ao Senado por São Paulo.

Críticas a oposição

O encontro incluiu críticas a adversários políticos. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o candidato ao Senado Guilherme Derrite (PP) foram mencionados durante falas de participantes, com referências a temas ligados à segurança pública.

Alckmin também comentou o andamento de medidas voltadas à renegociação de dívidas. Segundo ele, o pacote está em fase de implementação e busca oferecer condições para redução de juros em contratos de crédito.

"Nós temos, infelizmente, uma taxa de juros muito alta e isso acaba comprometendo parte da renda dos trabalhadores. O governo vai procurar oferecer àqueles que estão com mais dívida a oportunidade de reduzir e de renegociá-la com juros menores".

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