Pandemia faz cenário para negros no mercado de trabalho pior do que nunca

Durante a pior fase da pandemia, mais de 6,4 mi de homens e mulheres negros saíram da força de trabalho. Entre os brancos, esse número foi de 2,4 mi

As diferenças entre negros e não negros no mercado de trabalho sempre existiram no Brasil. Durante a pandemia, porém, os efeitos da crise acentuaram ainda mais esse cenário.

Entre o primeiro e o segundo trimestre de 2020, mais de 6,4 milhões de homens e mulheres negros saíram da força de trabalho, do qual fazem parte todos aqueles que estão empregados e que procuraram emprego ativamente no período.

Entre os brancos, por outro lado, o número de pessoas nessa mesma situação chegou a 2,4 milhões, de acordo com levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

O orgão usou como base dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Negros , por questões estruturais, aparecem com mais frequência dentro do contingente de pessoas mais vulneráveis, que foram os mais atingidos na crise”, diz Marcel Balassiano, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV).

“Os trabalhadores formais também foram atingidos, mas tiveram acesso o programa de diminuição das horas trabalhadas e salário, e já são pessoas com nível educacional e salário maior, diz.

De uma maneira geral, o estudo mostra que dos 8 milhões de pessoas que perderam o emprego nesse intervalo, 6,3 milhões eram negros e negras — 71% do total. Esse movimento é ainda mais gritante quando consideramos que 55% da população brasieira é formada por pessoas de pele negra.

Veja abaixo x gráficos que mostram o abismo entre os negros e não negros no mercado de trabalho:

Além de mais negros terem perdido espaço no mercado em comparação com não negros, o rendimento desses trabalhadores também mostra condições bastante desiguais, variando de R$ 1.602 para mulheres negras até R$ 3.144 para homens não negros.

 

As perdas entre a população ocupada negra e a não negra também foram diferentes, como mostra o gráfico abaixo:

 

A população negra é a que mais aparece em trabalhos desprotegidos:

 

Por fim, trabalhadores negros são a maioria entre os subutilizados, ou seja, que trabalham menos do que gostariam:

 

Por experiência própria

“Quando olho pessoas como eu, negras e de baixa renda sem acesso desde o início à educação de qualidade e, na maioria das vezes, sem famílias estruturadas, logo na largada, sei que perdem competitividade. O mercado de trabalho é um complicador, pois não está historicamente aberto para receber pessoas de perfis diferentes”, diz Wellington Vitorino, CEO do Instituto Four, instituição sem fins lucrativos, que busca desenovlver jovens líderes.

E quando essas pessoas conseguem entrar no mercado de trabalho, diz, dificilmente se mantém em cargos de liderança. Dados do IBGE mostram que apenas 1,9% das mulheres negras no Brasil estão em cargos de direção, enquanto que esse número chega a 6,6% no caso de homens não negros.

“Quando olhamos para a base do mercado de trabalho brasileiro, percebemos que há representatividade sobre o que é o Brasil, ou seja, um país que abriga os mais diferentes tipos de pessoas”, diz Vitorino. “Quanto mais as pessoas vão subindo nas hierarquias internas de empresas, menos encontramos essa mesma diversidade”, diz

A instituição, que vai em 2021 para seu sexto ano de funcionamento, tem como um de seus diferenciais, segundo Vitorino, uma grade do curso que visa expor o cenário brasileiro como um todo: “Para nós, líderes precisam entender de Brasil. Desde sua história, até o contexto atual em diferentes áreas, como economia, infraestrutura, política, saúde, segurança etc”.

O instituto está com pré-inscrições abertas para o ProLíder, programa de formação de líderes. As inscrições oficiais serão realizadas em janeiro de 2021.

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