Projeto social em blockchain distribui R$ 2 mi em criptomoedas no Brasil

Em parceria com startup brasileira, impactMarket quer garantir renda mínima à população e já movimentou mais de US$ 350 mil no país
 (impactMarket/Divulgação)
(impactMarket/Divulgação)
Por Gabriel RubinsteinnPublicado em 17/03/2021 19:39 | Última atualização em 17/03/2021 20:18Tempo de Leitura: 4 min de leitura

O impactMarket, plataforma de financiamento coletivo em blockchain focada na erradicação da pobreza e na renda mínima garantida para populações vulneráveis, ultrapassou a marca de 350 mil dólares (mais de 2 milhões de reais) distribuídos no Brasil. Lançado em setembro de 2020, o projeto utiliza o Celo Dollar (cUSD), uma criptomoeda de valor equivalente ao dólar, para realizar as transações.

A plataforma digital, que ainda está em fase beta (em desenvolvimento), atua no país em parceria com a Bitfy, carteira de criptomoedas com suporte ao cUSD que permite o uso de serviços financeiros tradicionais — como transferências bancárias, pagamento de contas e boletos ou recargas para celular — e que tem parceria com empresas como Cielo, Rappi e iFood, entre outras.

Funciona assim: instituições e associações cadastram seus projetos sociais ou comunidades no impactMarket. A plataforma lista os projetos aprovados em seu aplicativo e doadores do mundo todo, sejam pessoas físicas ou jurídicas, podem fazer suas contribuições. As doações são encaminhadas através da Bitfy ou outra carteira com suporte à cUSD, onde os beneficiários podem utilizar o valor da forma que acharem mais conveniente.

Os beneficiários de determinada campanha podem ser um grupo específico de pessoas ou a própria instituição social. Como os pagamentos são incondicionais, tornam-se uma forma de renda básica universal, que os beneficiários podem sacar diariamente, ou quando juntarem um valor maior, ou quando precisarem.

No Brasil, as instituições e comunidades já listadas na plataforma estão espalhadas por 19 estados, e o impactMarket pode "ajudar os usuários a escolher para onde enviar suas doações e até aportar fundos no mesmo valor que o doador", segundo contou o CEO da plataforma, o português Marco Barbosa, à EXAME.

Desde setembro de 2020, quando a plataforma foi lançada, o projeto já distribuiu mais de 2 milhões de reais para as populações carentes do Brasil — no momento, cerca de 10 mil pessoas são atendidas pelo programa no país. No mundo, o total distribuído passa de 525 mil cUSD (cerca de 3 milhões de reais) para mais de 14 mil beneficiários.

“Em um momento de crise como o que o mundo vivencia é fundamental que a economia desses lugares continue a girar. Para nós, é motivo de muito orgulho ser a primeira e única carteira multiuso de criptomoedas do país a fazer parte do maior projeto de impacto social utilizando criptomoedas do mundo”, disse Lucas Schoch, CEO da Bitfy.

No Brasil, os beneficiados recebem, em média, entre 1 e 5 dólares por dia, segundo a Bitfy. A empresa cita o exemplo de uma comunidade de Salvador, que possui cerca de mil famílias atendidas, e cada uma recebe o equivalente a 250 reais mensais em suas carteiras digitais.

No site da impactMarket, entretanto, é possível verificar todos os projetos sociais beneficiados, em lista que inclui instituições ou comunidades em cidades como Lauro de Freitas (BA), Camaçari (BA), São Luís (MA), Belford Roxo (RJ), Ceilândia (DF), Planaltina (DF), Osasco (SP) e muitas outras, além de assentamentos de movimentos sociais e países como Venezuela, Uganda, Gana, Cabo Verde, Filipinas, Argentina, Nigéria e Honduras.

O uso da tecnologia blockchain, que sustenta as operações com criptomoedas, é essencial para o funcionamento do projeto, já que possibilita, além das transações instantâneas, também o acompanhamento em tempo real de todas as movimentações financeiras, garantindo sua transparência e autenticidade.

"É impressionante ver como esta tecnologia permite fazer coisas que antes não eram possiveis e chegar a comunidades onde mais ninguém consegue chegar", disse Marco Barbosa. "Lugares onde muitas vezes a maioria das pessoas não são bancarizadas, muitas não têm documentos ou têm seus documentos bloqueados pelo governo, lugares em que muitas vezes há hiperinflação da moeda local".

A plataforma utiliza o protocolo em blockchain Celo, organização sem fins lucrativos dos EUA que emite a stablecoin cUSD, lastreada em dólar, e que pretende "construir um sistema financeiro onde todo mundo pode prosperar", segundo afirma o seu site — as doações, entretanto, podem ser feitas também em bitcoin ou ether.

A Celo, que é uma das investidores do impactMarket, tem como investidores a exchange Coinbase, o CEO do Twitter, Jack Dorsey, e grandes fundos de investimento, como o General Catalyst, que já investiu em empresas como o Airbnb, o HubSpot e a Stripe.

No curso "Decifrando as Criptomoedas" da EXAME Academy, Nicholas Sacchi, head de criptoativos da Exame, mergulha no universo de criptoativos, com o objetivo de desmistificar e trazer clareza sobre o funcionamento. Confira.