Brad Smith diz que emissão de dinheiro deve ser feita somente por governos

Em crítica a descentralização, presidente da Microsoft revela sua opinião sobre emissão de moedas por empresas privadas e revela o posicionamento da companhia
 (Denis Balibouse/Reuters)
(Denis Balibouse/Reuters)
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Lucas Josa

Publicado em 25/03/2021 às 15:14.

Última atualização em 25/03/2021 às 17:03.

Nesta quarta-feira (24), no BIS Innovation Summit, o presidente da Microsoft Brad Smith deixou bem clara a sua visão sobre as moedas que não são emitidas por governos ou Banco Centrais e criticou o fato do suprimento desses ativos não fazer parte da alçada dessas instituições.

Organizado pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS), o painel que contou com a participação de Brad Smith, abordava como Bancos Centrais e grandes empresas da tecnologia podem trabalhar em conjunto para auxiliar o interesse público. Nesse cenário que abordava também o futuro da indústria de pagamentos, quando questionado sobre empresas de tecnologia serem confiáveis para emissão de dinheiro, Brad explicitou a sua opinião.

"O suprimento de dinheiro de dinheiro deve ser feito por uma organização que presta contas à sociedade e se preocupa somente com o interesse público, ou seja, o governo", disse o então presidente da Microsoft.

Para Brad, os governos ainda estão na melhor posição para atuar como emissores e reguladores do dinheiro, tornando clara a sua posição no debate em relação à moedas descentralizadas, que não tenham um controle governamental.

Além disso, durante seu discurso, ele reforçou o compromisso da companhia de apoiar governos e bancos como fornecedora de tecnologia e explicitou que a Microsoft não tem a intenção de criar sua própria moeda, ou até mesmo apoiar ativos digitais que sejam descentralizados.

"Nós não somos um banco. Não queremos nos tornar um e não queremos competir com os nossos clientes que são bancos", complementou Brad Smith.

Por mais que não tenha mencionado diretamente o bitcoin e criptomoedas, o discurso aconteceu no mesmo dia em que Ray Dalio mencionou a possibilidade de governos proibirem o bitcoin. Os comentários não surtiram um efeito positivo no preço da moeda, que acumula uma queda de aproximadamente 8% após suas menções na quarta-feira (24).

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