Empreendedora mostra como faturar R$ 50 mil por mês com ateliê em casa

Barbara Fontoura, do Ateliê Fontoura & Kiehl, no interior de SP, fatura quase R$ 1 milhão entre a venda de peças e um café onde tudo é servido em cerâmica
Barbara Fontoura Agostini: trabalhos em cerâmica começaram em 2014, na garagem de casa (Barbara Fontoura Agostini/Divulgação)
Barbara Fontoura Agostini: trabalhos em cerâmica começaram em 2014, na garagem de casa (Barbara Fontoura Agostini/Divulgação)
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Da Redação

Publicado em 18/10/2022 às 09:15.

Última atualização em 18/10/2022 às 09:22.

Ao cursar design gráfico em Londres, a brasileira Barbara Fontoura Agostini se encantou pelo modo de produzir cerâmica (no caso, sobre o torno, equipamento usado para girar a peça).

Ao retornar ao Brasil com essa experiência na bagagem, foi visitar uma amiga na pequena Piracaia, no estado de São Paulo, e mais uma vez se encantou – desta vez,pela cidade.

Como montar um negócio na garagem de casa?

O negócio começou em 2014, em uma garagem, onde Barbara montou um ateliê para produzir peças em cerâmica. Para dar início ao sonho de empreender, ela comprou um forno pequeno, com capacidade para secar até dez peças. “Aos sábados e domingos eu deixava a garagem aberta para que as pessoas pudessem ver a produção”, lembra. 

Logo, a notícia da pequena fábrica de cerâmica se espalhou pela cidade. Uma amiga encomendou xícaras; outra pediu pratos; e, de surpresa, ela recebeu uma encomenda grande, para a enoteca Saint VinSaint, de São Paulo. A nutricionista e chef de cozinha Lis Cereja, dona do restaurante, teve contato com as peças de Barbara em Joanópolis, uma cidade vizinha à Piracaia, onde algumas unidades estavam expostas dentro de uma queijaria famosa do município. 

“Eu deixava as peças ali sem pretensão, porque era uma forma de desovar o que eu produzia”, conta Barbara. “Receber o pedido da Lis foi uma alegria imensa, porque além da quantidade, eu acabava repondo as perdas causadas por eventuais quebras”, diz ela.

E foi assim que o Ateliê Fontoura & Kiehl cresceu, no boca a boca, e focou sua produção, desde o início, para restaurantes. 

Pratos produzidos pela Fontoura & Kiehl: peças são encomendadas por restaurantes e redes de hoteis (Fontoura & Kiehl/Divulgação)

Diversificação dos negócios

A garagem ficou pequena, e Barbara alugou imóvel dedicado apenas ao ateliê. No ano passado, mudou-se para um local ainda maior. E hoje, além do ateliê, o imóvel abriga uma loja onde vende as peças – e também um café, aberto em 2022, onde serve comidinhas nas cerâmicas produzidas pelo Fontoura & Kiehl. 

De dois funcionários lá no início, a empresa hoje emprega 13 pessoas, entre o ateliê, a cafeteria e a loja. A produção está em torno de 250 peças por mês, tudo feito manualmente. Cinco fornos foram instalados para secar tudo. “A única ‘máquina’ que temos é o torno, como o da clássica cena do filme ‘Ghost’”, diz a empreendedora. Com isso, o ateliê alcança um faturamento mensal em torno de R$ 50 mil, e a cafeteria gera mais cerca de R$ 25 mil mensais. Em uma conta anualizada, quase R$ 1 milhão anual em receita.

Questionada se ainda pretende crescer mais, Barbara diz que sim, “mais um pouco”, revelando que recentemente recebeu uma grande encomenda, de 750 peças, da rede de hotéis Hilton.

“O barracão que estamos hoje é alugado, mas já compramos terrenos para construir e reservar um espaço para dar aulas”, adianta. “Quero crescer mais porque é gostoso, é desafiador e estimulante. Cerâmica é algo que eu me encontrei, não é só trabalho. Trabalho para caramba, de segunda a segunda, me entreguei, vivo para isso aqui.” Para crescer, ela ressalta que precisa de bons ajudantes.

Na pandemia, quando os restaurantes fecharam as portas, Barbara colocou rapidamente na internet um ecommerce, para vender online para o consumidor final. Com isso conseguiu manter as vendas. 

“Nunca tive dificuldade financeira desde que comecei a trabalhar com cerâmica”, garante. Mas, com os pedidos dos restaurantes retomados, ela fechou a loja virtual. “Como a produção das peças é um trabalho manual, eu não conseguia repor rapidamente para as vendas no site. Achei melhor parar o site por enquanto, mas está nos planos ter a loja on-line novamente.”

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