Consórcio para casamento: tudo o que você precisa saber antes de contratar

Saiba como funciona essa modalidade de crédito, quanto custa, como usar o valor disponível e a quais pontos prestar atenção para não se arrepender depois
 (Amphotora/Getty Images)
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Da Redação

Publicado em 04/07/2022 às 16:00.

Última atualização em 05/08/2022 às 11:10.

Quando se fala em consórcio, a primeira coisa que costuma vir à cabeça é a compra de veículos – natural, afinal, o modelo nasceu mesmo com essa finalidade. Mas um consórcio pode ser usado, na verdade, para pagar uma porção de outras coisas, inclusive uma festa de casamento.

Essa alternativa de crédito para bancar o “grande dia” faz parte de uma categoria chamada consórcio de serviços, que vem sendo cada vez mais utilizada no país.

Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) mostram que o número de participantes ativos nessa modalidade cresceu 276,8% nos últimos cinco anos, saltando de 52 mil em dezembro de 2017 para quase 196 mil no fim do ano passado.

“As características de versatilidade e flexibilidade do consórcio de serviços, quando da contemplação, vêm motivando os consumidores que, para melhor administrar suas finanças pessoais, familiares e até empresariais, têm planejado e aderido à modalidade”, avalia o presidente-executivo da ABAC, Paulo Roberto Rossi.

O que é um consórcio?

A categoria de serviços funciona como todo consórcio: é um sistema que reúne pessoas que têm o mesmo objetivo. Nele, o cliente escolhe quanto precisa e o prazo máximo para pagar e ser contemplado.

Todo mês, há um sorteio. Os participantes do grupo investem uma quantia pré-determinada em contrato e uma parte do total arrecadado vai para a pessoa (ou mais de uma, conforme o caixa) que foi sorteada naquele mês.

Quem é contemplado recebe uma carta de crédito, no valor do plano contratado, para usar com os fornecedores do casamento, independentemente do número de parcelas que já tenha pagado. Depois de contemplado, o usuário segue arcando com as mensalidades restantes até quitá-las.

O sorteio serve apenas para definir a ordem de recebimento do crédito, já que todos os membros do grupo receberão até o fim do plano.

Outra maneira de ser contemplado é fazendo um lance, que é como um leilão: o consorciado que oferecer o maior valor ou percentual é premiado. Esse valor funciona como um adiantamento de prestações, sendo abatido do saldo devedor. Para os lances, o cliente pode, inclusive, usar seu saldo do FGTS.

Qual é o perfil do cliente de consórcio?

Tão importante quanto saber de saber COMO funciona esse tipo de acesso ao crédito é entender PARA QUEM ele funciona. 

Ingo Zietemann, planejador financeiro na Planeje a Vida, esclarece que o cliente de consórcio é, essencialmente, alguém que não tem pressa, porque não sabe quando vai poder usar o dinheiro. 

“É também uma pessoa que tem um objetivo – no caso, pagar a festa –, mas não possui disciplina para juntar o dinheiro necessário por conta própria. Caso contrário, não seria preciso contratar um consórcio, que tem custos embutidos”, complementa. 

(Arte/Exame)

Quanto custa o consórcio para casamento?

O valor das parcelas varia de acordo com carta de crédito que o cliente deseja adquirir e da duração do plano escolhido. Há uma variedade de planos, é preciso pesquisar e comparar para ver o que mais atende ao objetivo e à capacidade financeira de cada um.

Na Rodobens, por exemplo, existem cartas de crédito para festa de casamento de R$ 10.000 a R$ 20.000. Para uma cota de R$ 15.000 em um plano de 12 meses, as prestações sairiam em torno de R$ 1.500. Já para quem pode esperar e parcelar em 36 vezes, o valor mensal seria de R$ 544. 

Um valor um pouco maior, de R$ 30.000, na Embracon, na opção de dividir em 40 meses, a parcela seria de R$ 945. 

Zietemann lembra que, como em qualquer outro empréstimo, o consórcio tem encargos. Então, o participante deve estar ciente de que, no fim das contas, paga mais do que vai receber. 

Qual o tempo para liberação da carta de crédito?

Quando contemplado, todo consorciado tem acesso à carta de crédito. Mas, para liberar o valor efetivamente, antes a administradora faz uma nova análise de crédito, com solicitação de documentos e avaliação da renda do cliente, para garantir o pagamento das parcelas restantes.

Só depois de aprovadas as garantias, o contemplado indica para a administradora os fornecedores do evento para que o pagamento seja feito diretamente ao prestador. Ou seja, na prática, o participante não recebe o dinheiro – ele comprova a prestação do serviço e a empresa transfere o valor.

E se o casamento for cancelado?

Quando entra para um grupo em que o consórcio é da modalidade serviços, o participante tem a flexibilidade de alterar como vai usar o crédito depois, desde que a opção escolhida pertença à mesma categoria. 

Assim, ainda que o planejamento no começo tenha sido a festa de casamento, caso ele não aconteça mais, dá para usar o crédito para financiar serviços como:

  • reforma de imóvel
  • cirurgia plástica
  • tratamento odontológico
  • viagem
  • festa de formatura
  • cursos

O que considerar antes de contratar um consórcio?

Para Ingo Zietemann, a grande vantagem do modelo é a facilidade de adesão – sem entrada, taxa de avaliação, taxa de abertura de cadastro ou IOF, por exemplo. Mas ressalta que é preciso levar em conta algumas questões importantes antes de contratar um consórcio para a festa de casamento:

- As administradoras dizem que não cobram juros, mas há a taxa de administração. “Falar que não tem juros é igual dizer que meu carro anda sem gasolina, mas coloco álcool. Ou seja, de alguma forma, preciso pagar para encher o tanque”, compara o planejador financeiro.

- Antecipar parcelas não reduz os encargos. Será paga a mesma quantia em taxa de administração, mas antes do que o cliente pagaria.

- Quitar não é sinônimo de poder usar. Mesmo que alguém pague tudo antes do fim do plano, ainda assim tem que esperar ser sorteado para receber a carta de crédito.

- As parcelas podem comprometer no máximo 30% da renda do cliente. Isso muda de empresa para empresa, mas no geral é assim.

- As prestações sofrem correções seguindo a inflação. Portanto, a conta que é feita no início não é a mesma do final, fazendo com que a dúvida seja crescente.

- A carta de crédito só é liberada após passar por toda uma burocracia. Muitas vezes, inclui colocar um imóvel como garantia ou indicar um fiador, que é quem vai ficar com as dívidas (as parcelas restantes) se o consorciado não pagar.

“É preciso cuidado para não virar uma armadilha: a pessoa paga certinho, mas lá na frente não dão o dinheiro mesmo ela sendo contemplada, porque esse processo burocrático é posterior”, alerta Zietemann. 

- A festa é só um pedaço do casamento. Além da comemoração, tem lua de mel, decorar a casa nova, colocar piso e móveis planejados se há um apartamento na planta, pode vir logo um filho… Tudo isso deve ser considerado antes de assumir as prestações de um consórcio: dá para comprometer 30% da renda apenas com a festa? 

- Pés no chão, para não se endividar além do que pode pagar depois. Se optar pelo consórcio, o noivo(a) deve ler atentamente as regras do contrato e escolher uma opção que atenda às suas necessidades e, ao mesmo tempo, caiba no bolso, contando ainda que a vida pode ter imprevistos (perder o emprego, por exemplo).

“Essa é uma fase para ser prazerosa, e não de dívidas, começando a morar junto com uma situação de tensão. Aí, parece que o casamento está ruim, quando na verdade é a vida financeira que está ruim por escolhas mal pensadas”, finaliza Zietemann.

Clique aqui para conhecer as administradoras de consórcio de serviços autorizadas pelo Banco Central e associadas à ABAC.

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